Resenhas

Too Mean To Die

Accept

8.0

O AC/DC do metal germânico está de volta! Até as mudanças de formação e a pandemia global não puderam evitar que o coração de metal dentro do Accept deixasse de trazer seu 16º petardo ao "estilo dos anos 80" a ver a luz do dia.

Acrescentando um novo baixista e um terceiro guitarrista á esta incrível seleção de músicos, Too Mean To Die é um exemplo de que estes veteranos que não envelhecem um dia sequer estão com um álbum que vale e muito escutar no mais alto som teutônico. É exatamente o tipo de material que você pode esperar deles nesta etapa de 40 anos de sua carreira – mas há algo mais polido, cuspido e até pesado na composição do que ouvimos no álbum “The Rise Of Chaos” de 2017. Não há muita coisa nova acontecendo e também não há perda de qualidade nem nada, mas o som parece revigorado e o material está transbordando com trabalhos afiados de guitarra e uma atitude absurdamente agressiva. O álbum se tornou uma trilha sonora perfeita para tomar uma cerveja e fazer muita airguitar – e é exatamente onde este que vos escreve gosta de estar.

É o tipo de álbum que descarta uma análise profunda ao meu ver. Se você ouviu os últimos 4 álbuns da banda, você sabe o que te aguarda aqui – riffs da velha guarda, bateria super alta e aqueles vocais sujos e agressivos de Mark Tornillo, que parecem sair de um barril de whiskey envelhecido. O ponto de venda desta vez fica para os ganchos de guitarra e uma composição mais elaborada. A música de abertura “Zombie Apocalypse” já dá o sinal de que coisas positivas virão neste álbum e oferece uma coleção de ‘Acceptismos’ todos embrulhados num chocante destruidor de alto-falantes com vigor e juventude. A exuberante atitude deixará você preparado para enfrentar hordas de zumbis e Tornillo soa melhor que que nunca. O trabalho entre os guitarristas Wolf Hoffman, Uwe Lulis e o novo integrante Philip Shouse é impressionante, cativante e mantém seus punhos socando o ar sem sombra de dúvida. A música que dá o nome ao álbum traz mais do mesmo e deveria entrar como marca registrada da banda nestes 42 anos de existência. “No Ones Master” e sua mensagem “Fuck you, I won’t do what you tell me” (N.T.: “Foda-se, eu não farei o que você mandar”) é perfeita para a academia e “The Undertaker” é o tipo de hino do metal que a banda tem colocado em seus álbuns nos anos 80 que incluem aquelas marcas registradas com os momentos ohh-ohh-ohh – emblemático.

Outros pontos altos do álbum incluem a animada e urgente “Symphony of Pain” que o trio de seis cordas utilizam riffs de guitarra conjuntos no estilo neo-clássico, emprestando até algumas notas da 9 Sinfonia de Beethoven. Até a baladinha poderosa “The Best Is Yet to Come” é mais agressiva do que você imagina com Tornillo cantando “when it rains, I look for rainbows” (N.T.: “Quando chove eu procuro por arco-íris”) cantando usando as tradicionais calças de couro e seus óculos escuros em pleno século 21. Ainda bem, Too Mean To Die não tem músicas ruins. Algumas são melhores que outras mas são consistentes e agrada demais do começo ao fim. Até o instrumental “Samson and Delilah” é uma grande coleção de riffs de guitarra que soam doce demais.

Eis a diferença entre isto é o álbum The Rise of Chaos. O trabalho de guitarra é absurdo do começo ao fim e há um comprometimento em deixar as guitarras falar. A presença de três guitarristas se deixa explicar por si só e adiciona uma dimensão extra ao que o AC/DC tem feito por décadas. Wolf Hoffman já está namorando a música clássica há algum tempo e você ouve isto claramente em seus solos. As músicas são elevadas por harmonias interessantes e solos rápidos, mas coisas nunca ficam bambas ou desleixadas. Isto acontece por que as músicas são estruturadas para serem simples e imediatas. Temos algumas exceções também, como a letra mais ou menos para “Suck to Be You”, mas é ago que podemos “aceitar” (brincadeira com o nome da banda Accept (risos). Mark Tornillo ainda soa como um gato de rua e carrega com orgulho a tradição de UDO. Algumas vezes ele soa até mais agressivo como em “Zombie Apocalypse” onde ele soa como um homem que lhe foi tirado suas entranhas e colocaram uma jarra de abelhas. Basicamente é um monte de velho que estão soando muito mais ameaçadores do que deveriam.

Too Mean to Die mostra um Accept que ainda tem vida de sobra naqueles joelhos doloridos e costas que não deixam de doer. Eu espero que eles tenham muito mais lançamentos desta qualidade a serem lançados. Chamá-los de AC/DC do metal não está correto, só significa que eles fizeram uma carreira longa fazendo o que fazem de melhor. Eu respeito MUITO isto e novamente, aceito isto.

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