Há 16 anos, em 8 de junho de 2010, o Nevermore lançava “The Obsidian Conspiracy”, o sétimo, e até o atual momento, último álbum lançado pela banda, que retornou aos palcos esse ano, e é tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira.
O álbum foi lançado em datas e locais diferentes: na Áustria, Austrália, Alemanha e Suíça, o álbum foi lançado em 28 de maio; já na Dinamarca, França, Grécia, Noruega, Portugal e Reino Unido, o álbum saiu no dia 31 de maio. No Brasil, foi lançado em 6 de junho. Estamos respeitando a data de hoje por ser referente ao lançamento nos Estados Unidos.
Em 2010, o Nevermore completava cinco anos sem lançar álbuns, o último havia sido “This Godless Endeavor“, e a turnê perdurou até o ano de 2007, quando a banda tirou férias, mas não sem antes gravar uma apresentação em Bochum, Alemanha, que virou o CD/DVD “The Year of the Voyager“, lançado em 2008.
Enquanto o álbum ao vivo era lançado, a banda curtia merecidas férias. O guitarrista Jeff Loomis gravou seu primeiro álbum solo, “Zero Order Phase“, e saía em turnê. Warrel Dane gravou também o seu disco solo, “Praises to the War Machine“, que contou com participação de Loomis. Chris Broderick aceitou o convite de Dave Mustaine e trocou o Nevermore pelo Megadeth, onde ficou até 2014, quando deu o lugar para Kiko Loureiro. Van Williams e Jim Sheppard ficaram descansando.
A banda já estava passando por problemas de relacionamento, que seria de conhecimento público em 2011, quando Van Williams e Jeff Loomis saíram, colocando a banda em hiato. E a demora imensa em lançar um álbum novo, deu espaço para as especulações. Mas em 2009, eles se reuniram, sem um segundo guitarrista, em quarteto como foi em praticamente todos os álbuns anteriores.
Com uma mudança na produção, a banda resolveu trocar Andy Sneap por Peter Wichers, que havia ficado conhecido pelos trabalhos com o Soilwork, e tinha produzido o já citado álbum solo de Warrel Dane. Mas ao contrário da besteira que fizeram em “Enemies of Reality“, quando deixaram Andy Sneap de fora e depois chamou o mago às pressas, ele ficou responsável pela mixagem e masterização do álbum.
A banda fez uso de alguns diferentes estúdios para a gravação de nosso homenageado: a maior parte do que escutamos em “The Obsidian Conspiracy” foi registrado no Wichers Studio, na Carolina do Norte. A bateria e algumas partes de vocais e baixo foram gravadas no Robert Lang Studios, em Seattle. Outros vocais e baixo foram gravadas no Cadillac Limo. O Nevermore ficou no estúdio entre os meses de agosto e outubro de 2009.
O saudoso vocalista Warrel Dane comentou sobre o que os fãs deveriam aguardar no novo álbum do Nevermore depois de tanto tempo sem um disco novo. Vamos dar aspas ao grandioso frontman:
“Estas músicas estão cheias de uma raiva recém-descoberta, tanto na letra quanto na música. Jeff Loomis criou alguns riffs novos incríveis que, sem dúvida, agradarão tanto aos fãs antigos quanto aos novos. Além disso, acho que a combinação de Peter e Andy (produção e mixagem) resultará em algo muito, muito especial.”
Loomis também disse como optou em dar um maior espaço para que Warrel Dane pudesse ter maior liberdade na hora de incluir seus vocais, e nós também vamos deixar a declaração do guitarrista abaixo:
“Acho que com o novo Nevermore, ainda soa como a banda, mas acho que estou dando ao Warrel um pouco mais de espaço desta vez para mais vocais, em vez de todas aquelas notas complexas e tudo mais. Então, desta vez, há um pouco mais de liberdade musical para ele realmente poder fazer o que quiser vocalmente. Então, veremos o que acontece. Com certeza será um álbum interessante para nós.”
O Nevermore havia escrito um total de treze canções, mas Peter Wichers os ajudou a dar uma polida, tanto na quantidade de canções, quanto no tempo das músicas. Loomis queria incluir músicas com 7 ou 8 minutos, mas ele conta que foi desencorajado pelo produtor, que queria dar às músicas uma sonoridade simplista e despojada. Apesar de ter reduzido o tempo total do álbum, a banda gravou ainda dois covers: “Crystal Ship“, do The Doors, e “Temptation“, do The Tea Party, que entraram em uma versão expandida lançada pela Century Media tempos depois.
Dando play na bolacha, temos o Nevermore soando bem diferente em alguns momentos do álbum, mas algumas características da banda como os arranjos complexos e o peso visceral continuaram a marcar presença. “The Obsidian Conspiracy” tem dez faixas e duração de 45 minutos, com destaques para faixas como “The Termination Proclamation“, “Your Poison Throne“, “Moonrise (Through Mirrors of Death)“, “And Maiden Spoke“, “The Blue Marble and the New Soul“, ‘Without Morals“, “She Comes in Colors“, e a faixa-título, que dão ao álbum um tom diferente dos demais, mas ainda assim, tão bom quanto os outros.
Apesar de muito bem recebido pela crítica especializada, “The Obsidian Conspiracy” não caiu no gosto dos fãs, sendo este o álbum menos querido pelos seguidores da banda. Ainda assim, figurou em algumas paradas musicais pelo mundo: 3° na Grécia, 13° na Alemanha, 27° na Hungria, 34° na Áustria, 35° na Finlândia, 40° na Suiça, 41° na Suécia, 69° nos Países Baixos, 87° na Bélgica, 94° no Canadá, 108° na França, e 132° na “Billboard 200“, sendo este o primeiro álbum da banda a figurar na parada de sucesso mais badalada.
O Nevermore precisava de um segundo guitarrista para sair em turnê, e o húngaro Attila Vöros foi o escolhido. Mas a turnê foi bem breve e em 2011, Jeff Loomis e Van Williams expuseram os problemas, e deixaram a banda. E sua legião de fãs de repente se viu órfã. Durante alguns anos, os fãs viram a possibilidade de um retorno, o que não acabou acontecendo pois Loomis passou a integrar o Arch Enemy, o que o deixava sem tempo para ter uma outra banda. Dane morreu desejando esse retorno, mas ao menos ele conseguiu voltar a ter contato tanto com Jeff quanto com Van. Uma pena que o tempo não permitiu com que a formação clássica da banda retornasse.
Em 2025, Jeff e Van recrutaram o vocalista turco Berzan Önen, o baixista também turco, Semir Özerkan, além do jovem guitarrista estadunidense Jack Cattol, que era um bebê quando a banda havia lançado “Enemies of Reality“. Este ano, a banda realizou seus primeiros shows com a nova formação, e dois shows aconteceram em São Paulo no mês de abril deste ano, um pelo Bangers Open Air e outro show, dois dias depois do festival. Nesta última apresentação, eles incluíram “Moonrise (Through Mirrors of Death)“, além de “Next in Line“, que não era tocada desde 2006.
Hoje é dia de celebrarmos mais um ano do lançamento deste “The Obsidian Conspiracy“, ao mesmo tempo que podemos celebrar o retorno de uma banda que estava fazendo muita falta na cena. É claro que, sem comparações, apesar do talento de Berzan Önen, Warrel Dane era incomparável. Mas o Nevermore promete honrar o legado deixado pelo seu principal letrista.

The Obsidian Conspiracy – Nevermore
Data de lançamento – 08/06/2010
Gravadora – Century Media
Faixas:
01 – The Termination Proclamation
02 – Your Poison Throne
03 – Moonrise (Through Mirrors of Death)
04 – And the Maiden Spoke
05 – Emptiness Unobstructed
06 – The Blue Marble and the New Soul
07 – Without Morals
08 – The Day You Built the Wall
09 – She Comes in Colors
10 – The Obsidian Conspiracy
Formação:
- Warrel Dane – vocal
- Jeff Loomis – guitarra
- Jim Sheppard – baixo
- Van Williams – bateria