Resenhas

Infinity Fall III

Watch Me Die Inside

Avaliação

9.5

Watch Me Die Inside, é uma obra de Aleph, um universo artístico que documenta o ser humano moderno em estado de colapso interno, lança novo EP ‘Infinity Fall III’. É uma obra curta, porém intensamente perturbadora, segundo a nota de imprensa, Infinity Fall III não é sobre a morte. É sobre examinar as mentiras reconfortantes que sobrevivem dentro de nós muito depois da verdade ter chegado. O EP chega lapidando um som que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, o EP é a prova de quea banda encara o  metal como laboratório: energia moderna, melancolia bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado.

Antes de ouvir o disco, vale ressaltar a profunda descrição do projeto: Através de Fragmentos, o projeto expõe estados suspensos entre função, perda de identidade, vazio e resistência. Múltiplos Fragmentos formam uma Autópsia: não apenas uma coleção de músicas, mas a dissecação de uma ferida psicológica. O público não é tratado como ouvinte passivo, mas como Testemunhas – observadores de uma condição que não é suavizada, apenas tornada visível”.

Agora vamos à abertura com “Uneasy”, um convite para o mundo pesado, sombrio, perturbador e emotivo de Watch Me Die Inside, com linhas guitarra melódicas em sintonia com um piano sombrio. Os vocais são suaves, sedutores e emotivos, que logo dão espaço para sintetizadores que trazem uma batida moderno meio eletrônico com break downs bem técnicos e vocais mais intensos, esse som á mostrando logo de cara para que a banda veio.

A canção mantém o ritmo cadenciado e angustiante, emulando o som pesado e técnico do metalcore. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia. O álbum não disfarça a tensão e sofrimento, ele o encara de frente, sendo capaz de sentir toda emoção ao ouvir. Para fãs de Sleep Token, essa banda é uma ótima pedida,

Em “Boring” a banda abaixa o tom e nos surpreende com um prelúdio de pianos cortantes – até nos surpreender novamente com os vocais melódicos e todo o peso melódico do estilo, com backing vocals que criam mais angústia na canção. Um ponto interessante é o detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a densidade do som. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção em sintonia perfeita com o instrumental. Sem dúvidas, é a faixa mais emocionante do disco, perfeito para rádios, podendo se tornar um hino entre os fãs do estilo. Aqui senti uma leve lembrança dos primórdios de Thirty Seconds to Mars.

Essa faixa ganha peso com guturais meio tímidos mas muito bem incorporados, mais densos e melódicos, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional de bandas dos anos 2000, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo além de expor suas experiências e seus traumas ao mundo de forma artística – é a música que mais gostei.

Há muita técnica no som da banda, com os clássicos riffs do metalcore, que vem ganhando notoriedade em um revivel incrível, mas com toda modernidade e técnica da juventude. Para encerrar, a faixa-título que entrega linhas de pianos memoráveis em uma introdução sombria que expressa todo sentimento e explode melancolia – aqui o piano é mais emocionante. Ela nos surpreende com riffs sinuosos e densos, que arrastam o ouvinte em uma viagem com vocais angustiados e potentes mas com toda beleza que Watch Me Die Inside consegue fazer, além de uma imensidão de jovens que souberam utilizar a técnica clássica mas incorporar tons modernos. Aqui a banda está mais forte do que nunca para expressar sua dor e dilui as fronteiras entre narrativa e virtuosismo musical.

A faixa começa suave, com tons de pop nos vocais e pianos mas como esperado, continua a brutalidade e explode de agressividade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para refletir. Aqui sentimos muita influência do metal moderno nos vocais, nos riffs e com tons mais eletrônicos em uma tempestade sonora, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio. A faixa muda o ambiente, onde somos surpreendidos com vocais agressivos e muito técnicos, a bateria segue o ritmo denso e potente, fervendo, junto com o baixo que marca forte presença em um groove que mantém o clima denso, para criar um som mais acessível e memorável.

Watch Me Die Inside se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de metal. O grupo não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, mas com com inovação. Para aqueles que são fãs do estilo, Watch Me Die Inside oferece exatamente o que se espera: riffs pesados e densos, quebras de bateria, vocais melancólicos e fortes, guturais intensos, mudança de ambiente e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de metal moderno, ‘Infinity Fall III’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero, e ainda sim, explorando novos territórios sonoros.