Estamos vivendo a semana do Helloween, pois temos dois álbuns da banda que completarão mais um ano de vida. Um deles é “The Time of the Oath“, sobre o qual falaremos amanhã, porque o Memory Remains desta quarta-feira vai tratar do sucessor deste, “Better Than Raw“, o oitavo álbum dos alemães.
Lançado há 28 anos, em 4 de março de 1998, nosso aniversariante veio cercado de grande expectativa, muito em virtude do sucesso que o antecessor teve. A turnê foi extensa e incluiu o Brasil no roteiro, quando tocou no Monsters of Rock de 1996, junto com Iron Maiden, Skid Row, Mercyful Fate, King Diamond, Motörhead, entre outros. Esse festival causou polêmica pelo fato de a produção ter colocado os brasileiros do Raimundos para tocar depois do Helloween.
Enquanto fazia a turnê de “The Time of the Oath“, a banda gravou algumas apresentações e lançou em vídeo, na época, vivíamos na era do VHS, quem tem menos de 30 anos nem sabe o trabalho que era assistir um vídeo utilizando as hoje ultrapassadas fitas. Batizado “High Live“, o vídeo traz a banda vivendo seu melhor momento desde os tempos dos “Keepers“.
Em 1997, a banda parou para trabalhar na composição e na gravação do vindouro álbum. A produção foi mais uma vez assinada por Tommy Hansen, com quem a banda já trabalhava desde “Chameleon” (1993) e foi o último álbum do Helloween produzido por ele. O álbum foi gravado em dois estúdios: o Chateau du Pape & Crazy Cat Studios, em Hamburgo, onde eles já haviam gravado os dois álbuns anteriores, além do Mi Sueño, em Tenerife.
A arte da capa é uma paródia de um desenho belga sobre o desenho Os Smurfs, e foi assinada por Rainer Laws. O artista substituiu o Gargamel do desenho original pela bruxa e os Smurfs pelas abóboras. O trabalho ficou impecável e chamou muito a atenção, sendo considerada uma das capas mais bela do Helloween.
Sobre as letras, duas curiosidades. “Lavdate Dominvm” é inteiramente cantada em latim, e foi escrita por Michael Weikath, com ajuda de um amigo que entende o idioma. O objetivo era homenagear os fãs espanhóis e sul americanos que abraçaram a formação que se estabilizava. Já “Midnight Sun” fala sobre o fim de um relacionamento ruim.
Dando play na bolacha, o Helloween nos trouxe onze músicas em 54 minutos. Os grandes destaques ficam por conta de músicas como “Push“, que é bem nervosa, “Don’t Spit on my Face“, que mescla melodia com riffs pesados, “Revelation“, que é bem Power, além do grande hit do álbum, “Hey Lord!“. É um álbum muito bom e mostra que a banda vivia um bom momento, pelo menos para aqueles que viam de fora.
O álbum recebeu críticas positivas da imprensa e é um dos mais queridos pelos fãs da banda. Figurou em algumas paradas de sucesso pelo mundo: ficou em 7° na Finlândia, 9° no Japão, 14° na categoria Álbuns de Rock e Metal do Reino Unido, 19° na Alemanha, 35° na Suiça, 36° na Áustria e 42° na Suiça. Tal como seu antecessor, foi novamente certificado com Disco de Ouro no Japão.
Na época do lançamento, nosso aniversariante ganhou uma versão nacional, o que foi feito pela Paradoxx Music, que na época investia na música pesada, tendo lançado discos do Angra e Ratos de Porão, por exemplo. Os brasileiros ganharam uma faixa bônus, “A Game We Shouldn’t Play“.
É um álbum um tanto quanto esquecido pela banda, principalmente quando se trata das músicas incluídas nos shows. A única que ainda é tocada atualmente é “Hey Lord!”, que foi executada pela primeira vez somente no ano de 2003, durante uma apresentação da banda no Bar Opinião, em Porto Alegre, quando já não contava mais com dois dos músicos que gravaram o álbum: Uli Kursch e Roland Grapow, que saíram em litígio logo depois da gravação de “The Dark Ride“, o sucessor.
O Helloween estava a pleno vapor nesta época, tendo lançado dois álbuns nos próximos dois anos. Foi o caso do álbum de covers “Metal Jukebox“, quando fizeram versões para músicas do ABBA, Faith no More, Focus, David Bowie, entre outros, e o já citado “The Dark Ride“, que foi onde o caldo entornou de vez, e os fundadores da banda resolveram tirar Uli e Grapow.
Felizmente o Helloween segue em plena atividade, tendo de volta Michael Kiske e Kai Hansen, que se juntaram à atual formação. No ano passado, eles lançaram o ótimo “Giants & Monsters” e esse ano eles têm um encontro com os fãs brasileiros, quando farão dois shows em setembro. Hoje é dia de celebrarmos mais um aniversário deste álbum, e amanhã voltaremos contando os 30 anos de “The Time of the Oath“.

Better Than Raw – Helloween
Data de lançamento – 04/03/1998
Gravadora – Castle
Faixas:
01 – Deliberately Limited Preliminary Prelude Period in Z
02 – Push
03 – Falling Higher
04 – Hey Lord!
05 – Don’t Spit on My Mind
06 – Revelation
07 – Time
08 – I Can
09 – A Handful of Pain
10 – Lavdate Dominvm
11 – Midnight Sun
Formação:
- Andi Deris – vocal
- Markus Grosskopf – baixo
- Michael Weikath – guitarra
- Roland Grapow – guitarra
- Uli Kursch – bateria
Participações especiais:
- Jörn Ellerbrock – teclado
- Tommy Hansen – teclado
- Jutta Weinhold – backing vocal
- Ralf Maurer – backing vocal
- Christina Hahne – backing vocal