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Lucifer: Encantamento para um público devoto

Lucifer: Encantamento para um público devoto

30 de abril de 2026


Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Headbangers News

Adorado pelo público brasileiro, o Lucifer enfrentou diversas mudanças desde a sua última visita em nosso país no ano de 2024. Com a separação pessoal e profissional do casal Johanna Platow e Nicke Andersson em maio de 2025, a vocalista anunciou uma nova formação, iniciando nova fase na história da banda.

Contrastando com os dias ensolarados que assolavam a capital paulistana, a data de hoje marcou uma virada no tempo com a presença de chuvas e a chegada de uma frente fria – ou seja, tudo bem propício para o último show desta turnê do Lucifer pela América do Sul que contou com um Hangar 110 lotado de fiéis.

A abertura ficou com o Space Grease; formada em São Paulo no ano de 2020, lançaram um EP ‘Can’t Hide’ (2023) e agendaram para esse ano seu primeiro full-length ’A Kind Of Mess’.

Musicalmente, a banda apresenta um verdadeiro caldeirão sonoro onde entram hard rock setentista, stoner, psicodelia e até ritmos latinos, com toda essa junção de ritmos criando um show que em nenhum momento cai no marasmo. Vestindo uma tunica branca, Jú Ramirez possui uma voz que soa etérea em vários momentos, combinando com sua performance dramática.

Essa apresentação de 35 minutos mostrou uma banda com enorme potencial criativo e ótimas canções – especialmente o encerramento com “My Enemy”.

Formação:

Jú Ramirez – vocal

Franco Ceravolo – guitarra

Tonhão – baixo

Henrique Bitencourt – bateria

Lucas Melo – percussão

 

A narração “The Demon Spell For Energy” (“O Feitiço Demoníaco Para Energia”) entoada por Louise Huebner funciona como catalisador para a chegada do deus egípcio dos mortos, “Anubis” e prossegue com as poderosas “Ghosts” e “Crucifix (I Burn for You)”.

O Lucifer faz parte das bandas que pegaram referências da música pesada de décadas passadas, acrescentando uma roupagem atual sem perder o ‘ar vintage’. Essa fórmula produz canções como “Riding Reaper”, “Wild Hearses”, “Lucifer” e “California Son” com riffs e refrões pegajosos entoados por uma platéia de fieis.

Se, pessoalmente, a separação de Johanna e Nicke ainda carrega ressentimento – ela dedicou “Slow Dance In A Crypt” ao ‘meu namorado morto’ – sua performance é impecável. Situando-se entre Jinx Dawson (Coven) e Stevie Nicks (Fleetwod Mac), ela parece ‘fluir’ pelo palco, usando sua sensualidade e magnetismo de forma elegante. Com todos os olhares sobre ela, podemos imaginar que o ‘atual Lucifer’ se tornou a ‘banda da Johanna’ certo? Errado…todos os integrantes demonstram euforia pelo show, cabendo ao baterista Kevin Kuhn o ‘momento interação’ mais bacana da noite ao executar as introduções de “Run To The Hills”, “Crazy Train” e “We’re No GonnaTake” até chegar em “Bring Me His Head” ganhando o público para a parte final do show.

A catarse coletiva prossegue com a releitura de “Goin’ Blind” (Kiss) e finaliza com a canção que mais define o Lucifer: “Fallen Angel” – codinome usado por Johanna para se referir aos seus fãs.

Essa extensa turnê pela América do Sul mostrou que a nova formação do Lucifer passou no teste, deixando os fãs ansiosos por novas canções e um breve retorno.

Formação:

Johanna Platow – vocal

Claudia González Díaz – baixo

Kevin Kuhn – bateria

Coralie Baier – guitarra

Max Eriksson – guitarra

Setlist:

Anubis
Ghosts
Crucifix (I Burn for You)
Wild Hearses
Riding Reaper
Lucifer
At The Mortuary
Slow Dance In A Crypt
The Dead Don’t Speak
California Son
Bring Me His Head
Goin’ Blind
Fallen Angel

 

Galeria do show