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Ressurreição em São Paulo: O Nevermore prova que o impossível é apenas uma questão de alma

Ressurreição em São Paulo: O Nevermore prova que o impossível é apenas uma questão de alma

29 de abril de 2026


Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Metal no Papel

Havia um nó na garganta de cada um dos presentes que lotaram o Carioca Club nesta noite de terça-feira (28). Para o fã de heavy metal, o Nevermore nunca foi apenas uma banda; era uma entidade que traduzia a angústia, o peso técnico e a beleza melancólica como poucas no mundo. Desde a partida do lendário vocalista Warrel Dane em 2017, o silêncio parecia definitivo e o retorno, um sonho inalcançável. Mas o que vimos em São Paulo foi muito mais que um simples retorno: foi uma celebração espiritual.

Após uma passagem apoteótica pelo festival Bangers Open Air no último domingo, o Nevermore entregou o seu show solo para um público que não estava ali apenas para assistir, mas para participar de um verdadeiro ritual. No palco, os pilares fundadores Van Williams e Jeff Loomis mostraram que a química que revolucionou o som das guitarras de sete cordas continua intacta. Loomis, com sua técnica impecável e solos que beiram a perfeição, sorria orgulhoso ao dividir as harmonias com o excelente segundo guitarrista Jack Cattoi. Enquanto isso, a “cozinha” rítmica, liderada pela bateria precisa de Williams e pelo baixo grandioso de Semir Özerkan, trazia a energia avassaladora necessária para sustentar clássicos tão densos.

A grande interrogação de qualquer retorno seria, inevitavelmente, o vocal. Como substituir uma marca registrada tão única? Berzan Önen não apenas aceitou o desafio; ele o honrou com uma dignidade impressionante. Com um tom de voz que serve como uma âncora direta para o legado de Warrel Dane — de quem é fã confesso —, Berzan dominou o palco com carisma, afinação e uma conexão visceral com os fãs.

O momento em que ele entoou a canção dedicada ao antigo mestre, “The Heart Collector”, foi o ápice emocional da noite. Ver o Carioca Club cantando em coro absoluto, com lágrimas nos olhos de muitos veteranos, foi a prova cabal de que a alma da banda permanece viva. Warrel Dane estava presente em cada nota, em cada verso e na memória de todos que guardam o álbum “Dead Heart In A Cold World” como o último registro de uma era.

Diferente da apresentação curta no festival, a banda presenteou os fãs paulistanos com pérolas que não eram ouvidas ao vivo há mais de uma década. A clássica “Believe In Nothing” lavou a alma do público, mas o grande destaque foi uma promessa cumprida: a estreia da grandiosa “Next In Line”. Durante a nossa entrevista com Jeff Loomis, pedimos pessoalmente para que essa faixa fosse incluída, e a banda, em um gesto de imenso respeito aos fãs brasileiros, trouxe a brutalidade dessa canção de volta aos palcos.

A sequência final foi um nocaute técnico e emocional. Músicas como “Engines of Hate” e a pesadíssima “Inside Four Walls” abriram rodas de mosh insanas, enquanto a maravilhosa “Sentient 6” envolveu o clube em uma atmosfera densa e reflexiva. O encerramento com os clássicos eternos “Narcosynthesys” e “The River Dragon Has Come” deixou o público em estado de êxtase completo.

Ao final da noite, o sentimento era unânime: este foi um show histórico para ficar na memória para sempre. O Nevermore de 2026 não é um tributo, é uma força da natureza que encontrou em Berzan Önen o porta-voz perfeito para seguir adiante. Warrel Dane certamente teria muito orgulho deste retorno grandioso e da forma como seu legado está sendo carregado.

O Nevermore está de volta, e São Paulo testemunhou que o dragão do rio, enfim, despertou com mais força do que nunca. Bravo!

SETLIST:

1.Ophidian

2. Beyond Within

3. My Acid Words

4. Enemies of Reality

5. Engines of Hate

6. Sentient 6

7. Next in Line

8. Moonrise (Through Mirrors of Death)

9. Inside Four Walls

10. The Heart Collector (Dedicada a Warrel Dane)

11. Born

12. Final Product

13. Believe in Nothing

14. This Godless Endeavor

Bis (Encore):

15. Narcosynthesis

16. The River Dragon Has Come

Galeria do show