O Sepultura lançou nesta sexta-feira, 24 de abril, o EP “The Cloud of Unknowing”, disponível nas plataformas digitais via ONErpm. O trabalho marca o último registro de estúdio da banda após mais de 40 anos de carreira.

Com 14 discos de ouro e apresentações em mais de 80 países, o grupo brasileiro encerra sua trajetória enquanto realiza a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”. A proposta do EP surgiu como uma forma de registrar um momento criativo final da banda.
As gravações aconteceram no Criteria Studios, em Miami, com produção de Stanley Soares. O material foi desenvolvido ao longo de dez dias. “Nós arranjamos tudo diretamente no estúdio”, afirma o guitarrista Andreas Kisser. “Não havia pressão! Nenhuma data de lançamento, nenhum título de álbum, nenhum nome de música. Nós simplesmente compusemos e tocamos. Em uma faixa, nos inspiramos nas influências jazzísticas de Greyson, o que trouxe uma nova dimensão ao nosso som. Foi uma experiência incrível, e estou orgulhoso de que, em nosso último ano, possamos lançar algo tão espontâneo e honesto — e tocá-lo ao vivo em turnê também.”
O título do EP faz referência a um conceito histórico. “O nome faz referência a um termo usado em um movimento cristão que aconteceu pouco depois de 1390, e que questiona toda essa parafernalha de livros, imagens e locais sagrados usados para conexão espiritual, dizendo que isso é completamente desnecessário para ter uma conexão direta com a natureza ou com as sensações que criamos e desenvolvemos dentro de nós. É como se a gente estivesse lendo o menu para matar a fome”, explica Andreas.
Com quatro faixas, o trabalho apresenta diferentes abordagens sonoras. Entre elas está “All Souls Rising”, que aborda temas sociais. “A ideia central foi inspirada por um livro de Madison Smartt Bell sobre a rebelião de escravos no Haiti da década de 1780. Em um nível mais amplo, ela aborda o que está acontecendo na sociedade hoje — o quanto pode ser mudado quando nos unimos além de raça, religião e política. Trata-se também das mudanças que podemos fazer dentro de nós mesmos”, diz o vocalista Derrick Green.
Outra faixa, “The Place”, também trata de questões sociais. “Essa música trata de imigrantes que chegaram a um lugar em busca de refúgio e para começar uma nova vida. Uma vez assimilados por uma falsa sensação de segurança e por uma propaganda implacável, eles começaram a agir contra o que odeiam em si mesmos. A transição começa com a fuga do ódio a si mesmo e com o ataque às pessoas que acreditavam nas mesmas ideias. Sinto que a letra acompanha verdadeiramente as transições da música. Começando com decepção e chegando à raiva”, afirma Derrick.
Já “Beyond the Dream” se destaca por trazer uma balada. “Era um desejo antigo da banda explorar esse formato, desde que o Derrick entrou trazendo sua capacidade vocal. A gente tinha tentado, mas nunca saiu do jeito que imaginávamos, sempre ia pra um lado mais pesado”, explica Andreas. A faixa conta com a participação de Tony Bellotto e Sérgio Britto. “Eles são da família, compositores espetaculares, escreveram baladas lindas na história dos Titãs. A gente se juntou e o processo foi maravilhoso. É uma honra ter os dois num projeto do Sepultura, de uma forma tão íntima nesse formato, com uma música que saiu maravilhosamente bem. A gente conseguiu realizar esse último desejo antes de acabar”, completa o guitarrista.
“The Cloud of Unknowing” reúne as faixas “All Souls Rising”, “Beyond the Dream”, “Sacred Books” e “The Place”. O EP já está disponível nas plataformas digitais.
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