Trompas, trio liderado pelo vocalista e guitarrista Wally, acaba de lançar o segundo trabalho da recém-nascida banda. “Lost Again” é um flerte com o sludge e tudo que há de mais cru, arrastado e cadenciado no heavy metal.
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Um sonho que se transforma em música é o começo do enredo de “Lost Again”. Uma mulher próxima e íntima que caminha ao lado de uma cobra sai do inconsciente e ganha força e vida na letra e clipe.
A cobra carrega inúmeras simbologias — e quando aparece em um sonho, pode dar vazão a mil interpretações. Do veneno à cura. Do perigo ao renascimento.
Entre situações mal resolvidas e sentimentos tóxicos que poderiam ser uma leitura possível ao sonho antigo, Wally fez o que sabe de melhor: extraiu música e peso.
O virtuosismo do baixista Benhur Lima se une à monstruosidade técnica e ao peso do baterista Thiago Caurio, que em “Lost Again” entrega brutalidade sem concessão.
A cobra
O clipe é uma produção exigente pelo fato de contar com uma cobra de verdade. Por isso, esta produção audiovisual foi acompanhada pelo biólogo Evandro Augusto Veit, especialista no manejo de serpentes, garantindo a segurança e bem estar das pessoas e do animal durante as filmagens.
“Nunca é muito fácil trabalhar com animais selvagens, sempre imprevisível, mas a dedicação e profissionalismo de todos facilitou a condução e deu segurança para o animal participar da empreitada de forma respeitosa, segura e adequada. O alto comprometimento de toda equipe com isso tornou essa missão mais fácil”, diz o biólogo.

O baterista do Trompas, Thiago Caurio, posa com a cobra durante clipe (Divulgação/ Ricardo Silveira)
A estreia
Trompas conseguiu excelente destaque em sua estreia, ocorrida há pouco mais de um mês, sendo abraçada pelo público e crítica.
O trio brasileiro de stoner/sludge entrega riffs densos, cadenciados e “pantanosos”, sustentados por um senso de peso construído ao longo de anos de estrada de seus integrantes — e não por tendências ou fórmulas ditadas por algoritmos.
A primeira música do Trompas, “Ten Year Hate”, já ultrapassou a marca de 200 mil visualizações em menos de um mês. Mais do que os números, chamam atenção as interações do público. Elas demonstram o efeito real da conexão que a banda vem conseguindo estabelecer.
Muito disso passa pela trajetória de seu vocalista e guitarrista Wally, que leva ao Trompas sua vasta biografia dentro do rock nacional. Conhecido por ser um dos fundadores do CPM 22, Wally retoma agora sua caminhada no underground e na música pesada após anos de silêncio, explorando uma sonoridade hipnótica, arrastada, grave e densa. No sludge e no stoner, a repetição funciona como linguagem: desgaste, insistência e tensão contínua.
No Trompas, Wally reencontra seu antigo parceiro de Astafix, o baterista Thiago Caurio. O Astafix teve papel relevante na cena metal brasileira dos anos 2010, com forte presença no circuito underground, lançamentos consistentes e participação em festivais e turnês ao lado de nomes nacionais e internacionais.
Formado em 2024, o Trompas nasce justamente dessa conexão prévia entre músicos que já compartilham amizade, estrada e experiências em diferentes projetos. A banda se divide entre São Paulo e Porto Alegre e reúne integrantes com passagem por nomes importantes da cena pesada nacional, como Distraught, no caso de Caurio, e Hibria, no caso de Benhur.
Por que Trompas?
O nome Trompas remete à origem ancestral dos instrumentos de sopro, quando chifres de animais eram utilizados como forma de comunicação e sinalização. Com o passar do tempo, esses tubos evoluíram em forma e material, ganhando potência e novas possibilidades sonoras. A escolha do nome carrega justamente essa ideia de origem, força e chamado: um som primitivo que atravessa o tempo e chega ao presente com intensidade e peso.
Essa simbologia é traduzida na linguagem musical da banda: um som robusto, encorpado, expansivo, grave e, de certa forma, ancestral e primal.
“Não é um nome fácil de entender à primeira vista. Pode ser confundido com trompa, o instrumento de sopro, e até mesmo com trompas de Falópio. Mas quando pensei no símbolo da banda, pensei justamente no vigor desses chifres, que carregam um significado profundo e são um símbolo muito ‘heavy”, explica Wally.
O EP de estreia: “Anxiety”
Os singles “Lost Again” e “Ten Year Hate” antecipam o EP de estreia “Anxiety”, previsto para junho. O trabalho seguirá explorando temas ligados ao desgaste das relações, frustrações acumuladas e ao apagamento progressivo de memórias e vínculos.
Ficha técnica clipe Lost Again
Dirigido e editado por Thiago Caurio
Direção de fotografia por Cristiano Seifert
Operador de câmera: Marcos “Lagarto” Neuberger
Color grading por Cristiano Seifert
Gaffer: Adriano Fontoura
Assistência de produção: Gabriela Pfeifer
Assistência de produção: Ricardo Silveira
Assistência de produção: Chris Oliveira
Biólogo e responsável pelo manejo das cobras: Evandro Augusto Veit
Participação: Bebel Osorio Áudio gravado no estúdio Black Stork Studio (Porto Alegre) Produção de áudio por Thiago Caurio Mixagem e masterização por Benhur Lima
Siga Trompas:
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