Dr. M apresenta ‘Follow Me’, seu primeiro álbum e também o trabalho que introduz a proposta batizada pelo artista de adult metal. A ideia combina elementos do adult contemporary com estruturas e peso do heavy metal. O disco reúne nove faixas conduzidas por um vocal principal, colocado no centro das composições. Em vez de apostar apenas na agressividade característica do metal, o projeto busca aproximar o gênero de melodias mais acessíveis e de uma abordagem voltada ao público adulto, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de hard rock e atmosferas melancólicas, com sonoridade que refletem sua trajetória underground e independente. As músicas são emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. E este álbum prova a música atemporal de Dr. M, que adiciona um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.
A abertura com a apropriada faixa-título, já mostra suas origens roqueiras dos anos 80. Uma balada AOR, com sentimento profundo, muito semelhante a sons que vão de Toto a Starship. Logo na primeira faixa, a banda transmite sua identidade ousada, que perfura o ouvinte. Dr. M.pode ser um novato na música, mas sua expertise vai além da daqueles novatos, mostrando que tem o tempero old school, em que suas canções se desenrolam como cenas encenadas, com paisagens intensas, conferindo aos discos um apelo narrativo distinto.
“Blinded by Love” entrega uma seção rítmica mais animada, como hits de Starship e REO Speedwagon, e eu adoro essas bandas! A música do Dr. M. é, portanto, atemporal e ressoará na alma dos ouvintes por gerações. Vale lembrar que, por trás do trabalho, está Dr. M, compositor, produtor e músico independente responsável pela criação do álbum. O artista também assume uma posição de controle sobre o processo de produção, construindo de forma autônoma a identidade sonora do projeto.
Em “It’s All Music” temos guitarra de classic rock dos anos 80, sintetizadores e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais sentimental, típico de bandas da época. Os vocais descolados e inspirados nos anos 80 trazem uma autenticidade difícil de ignorar. É uma faixa mais dançante, perfeita para trilha sonora de discos da época.
O disco tem variações de sentimento. Em “(Anyone Can Be A) Hero”, o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação que nos faz viajar para o melhor ano da música, digna da trilha sonora de filmes mais românticos. A instrumentação é simples, mas segue a fórmula certa da época, com sintetizadores nostálgicos e riffs despojados, mas aqui senti mais toque de post punk, acho que pelos vocais e riffs mais depressivos, embora seja uma balada com melodias mais animadas
Chegando na balada, “On the Foggy Way Back Home” cria um clima mágico e claro — reforçando que o disco foi construído em torno de forte dinâmica e estruturas de música não convencionais. Voz e violão simples e vocais perfurantes, e até quem não entende a língua em que está sendo cantada consegue sentir a profundidade e sentimento da faixa.
Na seguinte, “Welcome to Babylon”, temos uma introdução com instrumentos indianos, tornando um clima épico para a chegada de riffs de guitarra mais pesados. A faixa é emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo. A faixa traz muitos elementos das clássicas baladas de rock, com uma pegada pesada e envolvente. Aqui tem muita influência de Helloween e Angra, uma canção épica de power metal com vocais que alcançam notas altas.
“Song to the Sun” resgata mais uma balada forte, robusta e densa, mantendo o espírito do power metal melódico, com riffs de guitarra despojados e melodia misteriosa, um hit de primeira linha que estaria na coletânea Love Metal, ao lado de nomes como Angra (mais na fase de Edu Falaschi).
Já “Rock & Roll Fantasy” nos transporta para um ambiente aconchegante de show ao vivo, com uma atmosfera que explora som mais animado, em que os riffs característicos do rock dos anos 80 se destacam com uma linha minimalista e poderosa. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirado nos hits da época. É uma música roqueira, em homenagem ao estilo, muito parecida com “Pegasus Fantasy”. É uma faixa que quase podemos viajar.
Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos “Shanghai Night” com vocais maravilhosos que carregaram este disco de um jeito único e encantador. A ousadia nessa obra é fundamental para o DNA do projeto, permitindo que cada lançamento soe como um novo capítulo, em vez de uma repetição de uma fórmula fixa. Aqui, Dr. M nos leva de volta ao rock elegante e nostálgico, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo. É melancólica, mas intensa, trazendo riffs de power metal e pianos mais suaves, e toda a angústia que se espera de uma faixa desse estilo, mas com bateria mais despojada, como uma declaração.
Dr. M. entrega uma obra que mistura ousadia, melancolia e experimentação, tudo com um toque oitentista que só quem viveu a época sabe fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez, pois foi criado fora de tendências e algoritmos, com a intenção de que os ouvintes o vivenciem como um ciclo emocional completo. E que agora soa nostálgico, como um disco de vinil que encontramos no porão e nos surpreende.