Resenhas

Navigating The Madness

Franky Fugazi

Avaliação

8.0

Franky Fugazi chega com seu aguardado álbum de estreia Navigating The Madness”, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais moderno do soft rock e country. Franky Fugazi combina suas diversas influências dos anos 90 em um som dinâmico e aconchegante e entrega uma performance densa e melódica em todas as 12 faixas do disco. O álbum prova a capacidade do Franky Fugazi de equilibrar emoção e energia, criando um registro coeso e dinâmico. Franky Fugazi é um compositor, multi-instrumentista e guitarrista de caixa de charutos britânico, originário de Golborne, Grande Manchester, e atualmente radicado na Holanda.

Navigating the Madness reúne composições escritas ao longo de vários anos e inspiradas no cotidiano da classe trabalhadora, experiências pessoais, humor ácido e nas dificuldades de encontrar equilíbrio em um mundo cada vez mais turbulento. O disco mistura influências de blues, Americana, garage rock e lo-fi, apostando em uma abordagem crua e direta.

E o artista já prova isso na abertura com “Early Morning Cigar Box Blues”, um convite para o mundo pesado e emotivo, com linhas de violão acústico e sons de pássaros que entregam o clima de southern rock e dão início a essa viagem, abrindo espaço para riffs mais pesados e melódicos, com os vocais intensos na seguinte “No I Ain’t (LIVE at JimmysJukeJoint)”, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som melancólico mas agressivo do grunge. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, nitidamente influênciado por Nirvana!

Em “Feloncholy” o tom acústico característico do grunge continua, mas com aquele tempero do Southern rock. Um ponto interessante é o detalhe de sentirmos como se fosse um LP de uma banda dos anos 90, que pegamos para ouvir. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção na voz. Sem dúvidas, é a faixa mais comercial do disco, perfeito para rádios, podendo se tornar um hino.

Seguimos com “Rebel song” que traz riffs mais densos e melódicos, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional desta vez em uma mistura de Blackberry Smoke com Stone Temple Piots, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo.

Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “Meshugganah Lady”, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Os clássicos riffs do rock alternativo, que vem ganhando notoriedade em um revivel incrível, é perfeitamente mostrado aqui – lembrando os clássicos acústico MTV dos anos 90 e 2000. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito que faz o público cantar junto.

“Soul Seeper” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardentes, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e a mais emotiva do álbum, mergulhando no terreno da introspecção noturna. A canção explode com uma base rítmica sólida e tom completamente acústico, peso e gostinho de interior, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio com clima melódico.

“Anthem” continua a melancolia e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para refletir. A faixa oferece uma pausa reflexiva no disco, com melancolia e sentimento que desabafam e mesmo que não entende a língua cantada, consegue sentir o peso da emoção. O grande diferencial do trabalho está no uso de um violão de caixa de charutos de três cordas, instrumento que ocupa o centro das composições e define a identidade sonora do álbum (e também está na arte da capa). Em vez de aparecer como um elemento ocasional, ele conduz os arranjos e imprime um caráter artesanal às músicas, aproximando o projeto das raízes do blues e da música folk, e chegando ao tom do grunge, garagem e souther rock.

Em “Tip The Executioner”, retorna com o grunge de primeira linha e entrega riffs de guitarra memoráveis e vocais cheios de energia. Aqui sentimos muita influência do rock dos anos 90 vocais de que dão uma nova textura, em uma tempestade sonora, mas mantendo a energia underground do grunge, a bateria segue o ritmo denso e potente, fervendo, junto com o baixo que marca forte presença e o clima denso, para criar um som mais acessível e memorável. “Aye-Ask-Her” entrega a faixa mais pesada com riffs densos e vocais cheios de paixão, aqui temos a pura energia do saudoso Scott Weiland. Seguindo pela também pesada e com mais swing “Transblunder”, onde o clima ganha mais tempero do southern rock.

Preparando os ritos finais, “Dry January” surpreende pela versatilidade, efeitos vocais e instrumental denso que carrega forte energia nostálgica. Entregando  a brutalidade mas com riffs ritmicos e bem melódicos, é mais uma faixa que explode melancolia com tons sinuosos e densos, que arrastam o ouvinte em uma viagem agressiva mas com toda beleza que só o rock dos anos 90 consegue fazer, além de uma imensidão de um artista que souberam utilizar a técnica clássica mas incorporar tons modernos.

Para encerrar, “So Long”  chega mantendo o som denso e sombrio, e a energia moderna que já é assinatura do Franky Fugazi, enquanto o instrumental é impactante e abaixa o tom para se despedir, sendo a faixa mais forte. Esse álbum vem com um ritmo que nenhum fã do estilo poderá colocar defeito.

Com ‘Navigating the Madness’, o artista apresenta um trabalho voltado aos fãs da música independente e de produções que valorizam autenticidade acima de grandes recursos de estúdio. A proposta combina composições de inspiração tradicional com uma estética contemporânea, explorando histórias pessoais e temas ligados ao cotidiano sob uma perspectiva intimista. A mistura clássica do rock dos anos 90, entre grunge e souther rock, entregam dois estilos clássicos americanos com faixas comerciais que dão satisfação em ouvir