Resenhas

The Whispering Part 1

The Whispering

Avaliação

9.0

The Whispering, banda de heavy metal de Los Angeles, emerge com seu aguardado EP de estreia ‘The Whispering Part 1’, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais novos do gênero. A banda que combina suas diversas influências em um som cru e explosivo, entregando uma performance densa e melancólica em todas as 4 faixas do EP – músicas que estarão presentes no álbum de estreia previsto para o final deste ano. Com uma combinação engenhosa de passagens do metal tradicional e o moderno, cada faixa deste trabalho mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, repleto de obscurantistas.

A abertura com a faixa auto intitulada é um convite para o mundo pesado e sombrio de The Whispering, com linhas guitarra melódicas mas bem rápidas e vocais intensos de Lucian Fhor, mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e angustiante, emulando o som pesado e técnico do heavy metal (há muita influência de Megadeth mas também Savatage). Uma faixa muito nostálgica e com uma melodia que nos vicia. O álbum traz influências dos anos 80, entre nomes consagrados do heavy metal e thrash metal. E não era pra menos, o time se completa com Loic Colin no baixo (Scarve/One Way Mirror), Tobias Kellgren (Dissection) e Dirk Verbeuren (Soilwork/Megadeth) na bateria.

Em “Life After God” a banda abaixa o tom e nos surpreende com um tom mais suave como uma balada melódica de thrash metal mas na verdade também remete muito a fase mais comportada de WASP como o disco ‘Golgotha’. Um ponto interessante é o detalhe de ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a técnica dos riffs. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção nos vocais fortes e naturais (muito admiráveis) em sintonia perfeita com o instrumental . Sem dúvidas, é a faixa mais comercial do disco, perfeito para rádios, podendo se tornar um hino entre os fãs do estilo.

“Evil Eye” mantém os riffs mais densos e melódicos, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional que as bandas de thrash e hard adotaram no anos 90, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo além de expor suas experiências e seus traumas ao mundo de forma artística, mergulhando em temas pertinentes. Nessa canção o que me chama atenção, além de toda a melancolia, é o solo de guitarra, que é simples mas marcante, entregando uma balada perfeita.

Há muita técnica no som da banda, com os clássicos riffs do heavy metal, mas também com energia do Thrash e hard rock, imagino que devido às diversas influências dos músicos que participam do disco. Para encerrar, “Pretty Witches” começa suave, com tons romanticos nos vocais mas como esperado, continua a brutalidade e explode de agressividade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para curtir o bom e velho metal. Aqui sentimos mais o tom melódico, sendo definitivamente a balada love metal do EP, onde o voclaista transmite seu encantamento pelas bruxas. A faixa muda o ambiente, onde somos surpreendidos com vocais agressivos e muito técnicos, a bateria segue o ritmo denso  e potente, fervendo, junto com o baixo que marca forte presença em um groove que mantém o clima denso, para criar um som mais acessível e memorável.

É importante notar que The Whispering se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de metal. O grupo não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, mas com com inovação. Para aqueles que são fãs do estilo, The Whispering  oferece exatamente o que se espera: riffs pesados e densos, vocais melancólicos e fortes, atitude heavy metal e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de metal, ‘The Whispering Part 1’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero, e ainda sim, explorando novos territórios sonoros.