The Plastic Waste Band chega com seu novo álbum, ‘Trash Island’, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de blues rock, psicodélico, jazz, post rock e atmosferas sombrias, com toques de misticismo que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 10 faixas mergulha na poesia romântica, no misticismo e no surrealismo, privilegiando a sugestão em vez da confissão, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas, sem dizer nenhuma palavra. E este álbum instrumental é mais um passo firme na jornada sonora desse conjunto de colaboradores de longa data, que adicionam um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.
A abertura com “Chant de Mars”, com participação já mostra suas origens enigmáticas. Um instrumental sombrio com sentimento profundo, muito semelhante a sons que vão de Cocteau Twins a Dead Can Dance. Logo na primeira faixa o artista transmite sua lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte sem dizer uma palavra. A banda molda a sensibilidade cinematográfica em sua música: as canções se desenrolam como cenas encenadas, com imagens de desertos, cidades neon e espaços oníricos liminares, conferindo ao disco um apelo sem narração distinto.
Em “If You See This It’s a Sign” temos guitarra de indie rock, sintetizadores e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais animado e dançante. A orquestração com pianos e violinos descolados trazem uma autenticidade difícil de ignorar. O disco tem variações de sentimento, em “Dream Cake”, o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação. Há linhas de violão, saxofone, riffs de guitarra e outros instrumentos criando um clima mágico e claro, bem inspirado no Jazz, blues, rock e dream pop – uma mistura que ao ler pode parecer estranho, mas ouvindo notamos que tudo se encaixa perfeitamente.
“North of the North Pole” chega com a faixa mais longa do álbum, com texturas cinematográficas, uma introdução que desperta curiosidade, e em seguida traz ritmos mais ousados, instrumentos regionais e uma pegada totalmente diferente de todo o álbum – aqui há muito tom de progressivo com o saxofone do jazz. “Bear Awareness” resgata uma pegada old school do post rock sombrio e atmosférico, dignos de trilhas sonoras ou uma mesa de bar intimista, ouvindo a lamúria dos músicos – eu amei.
“WasToBe” resgata o jazz com toda força que faz qualquer um embarcar nessa viagem, um hit de primeira linha que prova que grupo é impulsionado por composições meticulosamente elaboradas. Já “Debris” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com sintetizadores de arrepiar em um prelúdio angustiante. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte.
“Anything But You”, surge como uma faixa ritualística, ondeThe Plastic Waste Band explora som mais soturno, onde o som característicos do folk com pegadas nórdicas se destacam com uma linha minimalista e poderosa. O grupo dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados na música folclórica e mística. “Nose Prose ” é denso e melancólico, trazendo o dark, com riffs pesados de guitarra e toda angústia que se espera de uma faixa desse estilo, criando uma ambiente cinzento e introspectivo – perfeita para fãs de post rock. O grupo mantém o clima assombroso e misterioso, prendendo o ouvinte e o convidado para desvendar todo esse mistério que proporcionam.
Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos “Inner Gimbal”. Aqui, The Plastic Waste Band nos leva de volta ao jazz clássico mas cheio de energia jovial, elegante e nostálgica, que encerra o álbum com um toque profissional e nostálgico. The Plastic Waste Band entrega uma obra que mistura ousadia, melancolia e experimentação, tudo com um toque místico que só eles sabem fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez.