Resenhas

Marrow Deep

Mastodon

Avaliação

9.5

Foram cinco anos de espera desde o lançamento de “Hushed and Grim”, em 2021, passando por uma trágica perda do guitarrista Brent Hinds, a entrada de novos membros e uma expectativa enorme por um novo trabalho. Eis que anunciaram “Marrow Deep”, décimo álbum do Mastodon, o primeiro após a morte de Hinds e o primeiro com os novos membros, Nick Johnston, nas guitarras, e o brasileiro João Nogueira, agora oficialmente nos teclados. O décimo álbum chegou no dia 28 de agosto de 2026 pela Loma Vista Recordings.

Definido o caminho a seguir nas composições, o Mastodon nos entrega uma obra que abraça a melancolia e o progressivo de uma forma jamais vista, sem perder a identidade, com uma sonoridade muito agradável e sólida, que incorpora o peso marcante da bateria, riffs sempre muito técnicos e linhas vocais que transitam entre a agressividade e a melancolia. Tudo isso ganha um toque progressivo ainda mais enfatizado pelos teclados de João Nogueira, algo que já havia sido explorado em álbuns anteriores, mas que aqui ganha mais ênfase e uma presença muito mais forte.

Músicas como “Barbarian Blood“, “Poisonous Weapons” e “Snakes For Dinner” dão esse tom mais pesado, com a agressividade em evidência, enquanto “Your Ghost Again” apresenta uma sonoridade ligeiramente mais acessível, ainda pesada, com um refrão mais melódico e marcante. O mesmo podemos dizer de “Golden Spires“, com uma atmosfera ainda mais melancólica em momentos pontuais.

O lado progressivo aparece de vez na segunda metade do álbum, começando em “In The Ruins“, com uma atmosfera mais introspectiva e harmônica. “They’re Coming For You” mescla muito bem os andamentos mais pesados com os mais cadenciados, trazendo um refrão bastante marcante.

Na reta final do álbum, temos somente pedradas. “Moth And Bone” tem um andamento mais cadenciado e uma melodia que vai crescendo gradativamente, tornando-se grandiosa do meio para o fim e explorando a progressividade de forma impecável. “A Vampire’s Demeanor” é nostálgica, pois lembra a sonoridade do Mastodon em seus trabalhos mais antigos, uma faixa que facilmente estaria em “Leviathan“. “The Vanishing” é uma pérola na discografia da banda, com um tom setentista e um efeito na voz que lembra “Planet Caravan“, do Black Sabbath. A melancolia se casa com uma atmosfera agradável, resultando em um trabalho realmente incrível da banda. Fechando a audição, temos outra faixa incrível: “The Three Fates” é progressiva, melódica, agressiva e linda. Uma faixa que empolga e emociona. Em seus quase oito minutos, conta com passagens melódicas e introspectivas, que lembram o Opeth em certos momentos, além de riffs pesados e uma bateria mais que marcante, que enriquece ainda mais a composição.

Extremamente positivo é esse retorno do Mastodon, com um álbum que supera em muito o anterior e entrega até um pouco mais do que o esperado, dadas as circunstâncias dos acontecimentos dos últimos anos. A adição dos dois novos membros deu uma vida nova ao som da banda, principalmente pela liberdade que os teclados ganharam nas composições, trazendo um tom ainda mais rico ao trabalho. Temos aqui um dos grandes concorrentes a álbum do ano. Vale muito a audição!

Tracklist:
1. Barbarians Blood (04:37)
2. Poisonous Weapons (05:00)
3. Your Ghost Again (04:35)
4. Snakes for Dinner (04:57)
5. Out Like a Lamb (05:38)
6. In the Ruins (05:37)
7. They’re Coming For You (05:14)
8. Golden Spires (05:39)
9. Moth and Bone (04:46)
10. A Vampire’s Demeanor (04:50)
11. The Vanishing (06:43)
12. The Three Fates (07:47)