O dia 3 de setembro é especial para o Iron Maiden, pois dois álbuns da banda foram lançados nesta data: em 1984, o clássico “Powerslave” nasceu, e 37 anos depois, foi a vez de “Senjutsu“, o 17° disco da banda, e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira.
Lançado seis anos depois de seu antecessor, “The Book of Souls“, “Senjutsu” marca o maior intervalo de tempo entre dois álbuns do Iron Maiden, mas é provável que o próximo disco da banda venha a superar esse período. Apesar do longo tempo sem lançar um disco novo, nosso homenageado foi gravado ainda em 2019, quando eles aproveitavam as folgas da turnê Legacy of the Beast Tour. As gravações foram guardadas a sete chaves em um cofre para evitar o vazamento.
Quando estava sem shows na agenda, o sexteto partia para Paris, onde se alocava no Guillaume Tell Studio, contando mais uma vez com a produção de Kevin Shirley, que tem acompanhado a banda desde “Brave New World“. Steve Harris colaborou na co-produção. Tal como em “Virtual XI“, Steve Harris escreveu a maior parte das músicas. Pela primeira vez desde “Powerslave“, o guitarrista Dave Murray não colaborou na composição.
“Senjutsu” marca também o último álbum a contar com Nicko McBrain como baterista fixo nas turnês da banda. Ele ainda permaneceu até o final de 2024, quando se despediu depois dos shows realizados no Brasil, pois sua saúde já não lhe permite passar um longo período viajando e fazendo shows. Em seu lugar, está o baterista Simon Dawdson, mas não está descartada a possibilidade de Nicko gravar eventuais novos álbuns com a Donzela.
A arte da capa foi desenhada pelo artista Mark Wilkinson, que pela segunda vez consecutiva trabalhava na arte de um álbum de estúdio do Iron Maiden, e traz a mascote Eddie vestido de Samurai. Vamos deixar abaixo uma entrevista que Wilkinson concedeu a Metal Hammer, onde ele disse sobre a dificuldade de conseguir uma boa imagem de Eddie adaptada à cultura nipônica.
“Eu sabia que teria dificuldade em simplesmente vestir o Eddie com uma roupa de samurai. Os guerreiros de casta superior geralmente usavam muitas camadas de tecido denso e altamente ornamentado, tanto para se projetarem quanto para se acolchoarem no campo de batalha – eu não conseguia imaginar uma roupa assim funcionando para a figura esquelética do Eddie. Além disso, ele ficaria extravagante demais. Também resisti à tentação de colocar o capacete de samurai tradicional em sua cabeça. Isso cobriria muitos detalhes da ‘máscara’ vermelha de estilo kabuki que eu havia esboçado para ele. O capuz do capacete e os protetores de ouvido ‘fukigaeshi’ eram como próteses de pele e osso. A cabeça do Eddie era como a de um ciborgue – parte criatura, parte máquina – especialmente com todo o metal amassado e o couro rústico rasgado do resto de sua roupa.”
Hora de dar play na bolacha. “Senjutsu” é um álbum duplo, o que faz dele o segundo disco neste formato lançado em toda a história do Iron Maiden, já que seu antecessor, “The Book of Souls” também foi lançado neste mesmo molde. Temos no total dez músicas e 81 minutos de duração, com destaques para a faixa-título, “Stratego“, “Lost in a Lost World” e “The Parchment“. O Iron Maiden traz ainda consigo algumas velhas características, como o dueto de guitarras e os riffs cavalgados, mas a sonoridade esta bem diferente do tradicional, o que pode incomodar o fã mais antigo.
A receptividade ao álbum foi a melhor possível. A imprensa teceu diversos elogios e não é raro encontrarmos diversas resenhas onde “Senjutsu” é apontado como o melhor disco do Iron Maiden dos últimos 30 anos. Os fãs também gostaram do play, que foi eleito o melhor álbum do ano de 2021 por diversos veículos. Nas paradas musicais, o sucesso foi absoluto: o álbum alcançou o Topo na Áustria, Bélgica, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Croácia, Finlândia, Alemanha, Grécia, Hungria, Índia, Indonésia, Itália, Malásia, Bélgica, Portugal, Romênia, Rússia, Coreia do Sul, Servia, Escócia, Espanha, África do Sul, Suécia, Suiça e Tailândia; foi 2° na República Tcheca, Países Baixos, França, Polônia, Reino Unido e Uruguai; 3° na “Billboard 200“, Turquia, Eslováquia, Israel, Irlanda e Austrália; 5° no Canadá, Argentina, Dinamarca e Noruega. 10° lugar no Japão.
Devido ao imenso sucesso, “Senjutsu” foi certificado em diversos países. Foi Triplo Ouro na Croácia, além de Disco de Ouro no Brasil (veja só, caro leitor. Só o Iron Maiden é capaz de furar a bolha de estilos duvidosos como funk, sertanejo universitário, entre outras bizarrices), França, Alemanha, Hungria, Itália, Polônia, Espanha, Suécia e Reino Unido. A banda saiu em turnê mundial, que foi a 25ª feita pela banda, com um total de 81 shows, que foram acompanhados por quase dois milhões de pessoas.
O Iron Maiden segue em plena atividade. No último final de semana, a banda realizou uma apresentação no Canadá e Bruce Dickinson fez questão de provocar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se acha imperador do mundo e quer trocar o nome do Lago Ontário. Ainda bem que o frontman como bom historiador que é, sabe muito bem que o fascismo não é algo que faça as pessoas se sentirem orgulhosas. Hoje é dia de celebrarmos o 5° aniversário de “Senjutsu“, enquanto vamos apreciando a existência do Iron Maiden, um dos grandes nomes do Heavy Metal de todos os tempos.

Senjutsu – Iron Maiden
Data de lançamento – 03/09/2021
Gravadora – Parlophone
Faixas:
Disco 1:
01 – Senjutsu
02 – Stratego
03 – The Writing on the Wall
04 – Lost in a Lost World
05 – Days of Future Past
06 – The Time Machine
Disco 2:
01 – Darkest Hour
02 – Death of the Celts
03 – The Parchment
04 – Hell on Earth
Formação:
- Bruce Dickinson – vocal
- Steve Harris – baixo/ teclado
- Dave Murray – guitarra
- Adrian Smith – guitarra
- Janick Gers – guitarra
- Nicko McBrain – bateria