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Katatonia entrega técnica, sensibilidade e emoção no Cine Joia

Katatonia entrega técnica, sensibilidade e emoção no Cine Joia

23 de março de 2026


Crédito das fotos: Tamires Lopes/Headbangers News

Sábado, 21 de março de 2026, marcou a quinta passagem dos suecos do Katatonia pelo Brasil — desta vez no intimista Cine Joia, em São Paulo. A noite contou com a abertura da Falchi, projeto instrumental da guitarrista Jéssica Falchi (ex-Crypta), que vem consolidando uma identidade própria desde o lançamento do EP Solace.

A apresentação de Falchi começou por volta das 19h e entregou exatamente o que se espera de um trabalho instrumental bem estruturado: peso, técnica, emoção. As faixas de Solace ganharam vida com arranjos densos e execução precisa, aquecendo o público com uma performance vigorosa e energética. Um aquecimento interessante preparando o público para toda catarse que viria a seguir.

Por volta das 20h15, o Katatonia subiu ao palco para mais uma daquelas noites que não se explicam, apenas sente-se vivenciando. Com um repertório que equilibrou o presente e diferentes fases da carreira, o show abriu com “Thrice”, faixa do mais recente Nightmares as Extensions of the Waking State, estabelecendo de imediato a atmosfera densa e melancólica que é marca registrada da banda. Na sequência, “Soil’s Song”, do clássico The Great Cold Distance, ampliou ainda mais a conexão com o público.

O setlist percorreu com sensibilidade diferentes momentos da discografia, com destaque para quatro faixas do novo álbum Nightmares as Extensions of the Waking State, além de três músicas de The Great Cold Distance, três de Night Is the New Day, duas de Dead End Kings, duas de Sky Void of Stars, e ainda passagens por City Burials e The Fall of Hearts. Um repertório cuidadosamente construído que fluiu com naturalidade entre o peso atmosférico e as camadas mais sutis da banda.

Tecnicamente, a apresentação foi impecável. O som limpo e extremamente bem definido valorizou cada nuance das composições, evidenciando texturas, ambiências e dinâmicas que muitas vezes se perdem ao vivo. A formação atual, já consolidada após o lançamento do novo trabalho, mostrou entrosamento absoluto: Nico Elgstrand e Sebastian Svalland brilharam nas guitarras, transitando com precisão entre as fases da banda, enquanto Daniel Moilanen conduziu a base com firmeza e sensibilidade. O baixo de Niklas Sandin merece menção especial, grave, pulsante e cheio de personalidade, adicionando ainda mais profundidade à experiência, além da performance contagiante de Sandin.

Mas o que realmente marcou a noite foi a resposta do público. Visivelmente emocionado, o coro coletivo acompanhou praticamente todas as músicas, criando um ambiente carregado de sentimento. Essa entrega reverberou no palco, arrancando reações espontâneas dos músicos, especialmente do sempre introspectivo Jonas Renkse, que, à sua maneira, demonstrou o impacto daquela conexão.

Na minha leitura, foi a melhor apresentação do Katatonia no Brasil que assisti até hoje.

Tendo assistido a esse mesmo set duas vezes no final do ano passado, em diferentes cidades durante a turnê europeia, saio com uma convicção ainda mais forte: cada show do Katatonia é único. Existe um pulso diferente em cada noite, uma nova camada emocional que se revela e que atravessa gerações do início ao fim, arrebatando quem estiver disposto a sentir. E talvez uma das imagens mais simbólicas dessa noite tenha sido ver crianças no público, cantando junto, completamente imersas naquele universo sonoro — um reflexo genuíno de como a banda consegue tocar pessoas de diferentes idades e histórias com a mesma intensidade.

 

Setlist do Katatonia:

Thrice

Soil’s Song

The Liquid Eye

Austerity

Rein

Leaders

Dead Letters

Nephilim

Wind of No Change

The Longest Year

Old Heart Falls

July

Lethean

No Beacon to Illuminate Our Fall

In the Event Of

 

Encore:

Forsaker

Galeria do show