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Swallow the Sun no Hangar 110: doom finlandês abre turnê latino-americana em São Paulo

Swallow the Sun no Hangar 110: doom finlandês abre turnê latino-americana em São Paulo

13 de agosto de 2026


Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Metal no Papel

Na noite da última terça-feira (11), o Swallow the Sun deu o pontapé inicial de sua turnê latino-americana no Hangar 110, no Bom Retiro, região central de São Paulo. Foram treze músicas em pouco mais de uma hora de show, diante de uma casa que não chegou a lotar, mas reuniu um público engajado do começo ao fim. A turnê “Shining Over Latin America” tem o Brasil como ponto de partida e segue depois por Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador e México.

Esta foi a terceira passagem da banda pelo país, depois do Overload Music Festival de 2014 e da primeira turnê latino-americana completa, em 2023. A Overload, que assina a produção atual, foi a mesma que trouxe o grupo há mais de uma década, o que deu à noite um caráter de reencontro. Quem chegou mais cedo encontrou também uma mesa de merch da produtora, com camisetas e CDs da banda à venda.

Formado em 2000 em Jyväskylä, o Swallow the Sun é uma das principais referências do death/doom melódico. A formação atual reúne Juha Raivio (guitarra), Mikko Kotamäki (vocais), Juuso Raatikainen (bateria), Juho Räihä (guitarra) e Matti Honkonen (baixo). Raivio é o principal compositor e letrista, e boa parte do repertório nasce de perdas pessoais. Kotamäki, que também integra o My Dying Bride, alterna vocais limpos e guturais com naturalidade, e é essa dualidade que dá à banda a assinatura que costuma ser comparada a Katatonia, Anathema e Draconian.

O disco que dá nome à turnê, Shining, saiu em outubro de 2024, foi o primeiro trabalho depois de Moonflowers e venceu o prêmio de Metal do Ano no Emma Gaala, em 2025. É um álbum mais direto, com mais espaço para refrões e para o contraste entre peso e melodia, e foi justamente por ele que o show começou.

Foto: Jaqueline Souza

Depois da introdução gravada de “Velvet Chains”, a banda emendou em “Innocence Was Long Forgotten”, uma das faixas mais marcantes de Shining e um bom cartão de visitas para o clima da noite: refrão amplo, peso controlado e aquela melancolia que é a marca do grupo. Na sequência, “Descending Winters”, resgatada de Ghosts of Loss, puxou o público mais antigo, enquanto “New Moon” e, mais adiante, “Falling World”, ambas do álbum de 2009, foram das mais cantadas da noite.

O meio do set trouxe alguns dos momentos mais densos. “Don’t Fall Asleep (Horror, Part 2)” e “Out of This Gloomy Light” mostraram a banda em seu registro mais sombrio, com Kotamäki alternando entre o sussurro e o gutural, antes de “November Dust” e “Hope” reabrirem espaço para as passagens melódicas. “MelancHoly” e “These Woods Breathe Evil” fecharam a parte principal reforçando a alternância entre calmaria e brutalidade que define a experiência da banda ao vivo.

O bis retomou o material mais antigo com “Deadly Nightshade” e “Swallow (Horror, Part 1)”, encerrando a noite com a temática de horror que o grupo cultiva desde os primeiros trabalhos. Mesmo sem casa cheia, o público respondeu cantando alto do começo ao fim, e um dos presentes resumiu a noite como um caos que abraçava a “alma melancólica”.

Como abertura da “Shining Over Latin America”, o show em São Paulo cumpriu o esperado: um setlist equilibrado entre o disco novo e as fases anteriores, e uma plateia participativa que compensou o público mais enxuto. Para uma banda que passa pelo Brasil de tempos em tempos, foi um bom reencontro.

Foto: Jaqueline Souza

Setlist

Velvet Chains (introdução gravada)

Innocence Was Long Forgotten

Descending Winters

New Moon

Under the Moon & Sun

Don’t Fall Asleep (Horror, Part 2)

Out of This Gloomy Light

November Dust

Hope

MelancHoly

Falling World

These Woods Breathe Evil

Encore

Deadly Nightshade

Swallow (Horror, Part 1)