Há 38 anos, o Iron Maiden lançava “Seventh Son of a Seventh Son“, o álbum de número sete da brilhante discografia desta que é uma das mais importantes bandas de Metal de todos os tempos, e que é tema do nosso Memory Remains deste sábado.
A banda vinha do igualmente clássico “Somewhere in Time“, álbum que foi bem premiado por suas vendas, inclusive no Brasil, onde foi certificado com Disco de Ouro. Então, entre 1987 e 1988, o então quinteto embarcou para a Alemanha, onde na companhia do parceiro de longa data, Martin Birch, que assinava mais uma vez a produção do aniversariante do dia. O estúdio utilizado foi o Musicland Studios, na cidade de Munique.
Musicalmente, a banda começou a explorar os caminhos do Progressivo. Manteve os Sintetizadores utilizados no seu antecessor e pela primeira vez, incluiu teclados em suas canções. O álbum conta com diversas canções co-escritas por Bruce Dickinson, que teve suas ideias rechaçadas em “Somewhere in Time“. Ele sentia que havia perdido espaço na banda, pois era “apenas”, o cantor. Mas tudo mudou quando surgiram as ideias em torno do conceito do homenageado de hoje. Dickinson explicou em entrevista.
“Eu pensei, ‘Que ótima ideia! Brilhante!’ E é claro que também fiquei muito feliz, porque ele realmente me ligou para falar sobre isso e me perguntou se eu tinha alguma música que pudesse se encaixar nesse tipo de tema. Eu fiquei tipo, ‘Bem, não, mas me dê uma minuto e verei o que posso fazer”.
Trata-se de um álbum conceitual, que traz a lenda do sétimo filho do sétimo filho e dos poderes que este viria a ter. Na parte lírica, a banda abordou diversos temas como visões proféticas, misticismo, reencarnação e vida após a morte. A ideia sobre o álbum veio de Steve Harris, após ele ler o livro “Seventh Son“, de Orson Scott Card. O baixista lembrou certa vez em entrevista como as coisas aconteceram. Aspas para ele:
“Foi o nosso sétimo álbum de estúdio e eu não tinha um título para ele ou nenhuma ideia. Então eu li a história do sétimo filho, essa figura mística que deveria ter todos esses paranormais. presentes, como segunda visão e o que você tem, e foi mais, no começo, que era apenas um bom título para o sétimo álbum, sabe? Mas então liguei para Bruce Dickinson e comecei a falar sobre isso e a ideia simplesmente cresceu”.
A arte da capa, assinada por Derek Riggs, mostra uma imagem um tanto quanto simples, com Eddie desenhado só pela metade. O artista explicou que a maçã em uma das mãos da mascote representa o Jardim do Éden e que a cabeça pegando fogo foi um “símbolo de inspiração”, segundo as suas palavras.
O play marcava a despedida temporária do guitarrista Adrian Smith. Ele ainda faria a turnê e ficou até a pré-produção antes do sucessor, “No Prayer for the Dying“. Ficaria 9 anos fora, retornando junto com Bruce Dickinson, assim fazendo parte do lineup que ficou junta até o final de 2024. Na ocasião, ele estava insatisfeito com o direcionamento musical que a banda estava tomando e ele explicou isso. Vamos abrir aspas para o guitarrista.
“(Eu) achava que estávamos indo na direção certa com os dois últimos álbuns e que precisávamos seguir em frente, e simplesmente não, não me sinto assim”.
Dando play no álbum, o Iron Maiden trouxe um baita álbum, temos 8 faixas em 43 minutos e alguns classicoa forjados aqui, como “Can I Play With Madness “, “The Evil That Men Do” e “The Clairvoyant“. A recepção foi a melhor possível, colhendo elogios da imprensa especializada e ganhando os fãs, dando a eles exatamente o que esperavam da banda.
“Seventh Son of a Seventh Son” foi o segundo álbum da Donzela a alcançar o topo das paradas britânicas, sendo “The Number of the Beast” (1982) o primeiro. A banda repetiria dose por mais três oportunidades, com “Fear of the Dark” (1992), “The Final Frontier” (2010) e “The Book of Souls” (2015). Além disso, o álbum ficou em 1º na Finlândia, 2º na Holanda, Suécia e Suíça, 3º na Nova Zelândia e Noruega, 4° na Alemanha, 6° na Áustria e 12º na Billboard 200. Foi certificado com Disco de Ouro no Estados Unidos, Reino Unido, Suiça e Alemanha, e com Platina no Canadá.
Em Outubro de 1995, uma semana depois do lançamento de “The X-Factor“, o álbum foi relançado pela Castle, trazendo um CD bônus, que trazia para os fãs versões de músicas como “Prowler“, “Black Bart Blues“, “Charlotte the Hariot“, além de faixas ao vivo como “The Clairvoyant“, “The Prisoner“, “Killers” e “Still Life“.
Um belo disco que se aproxima dos 40 anos, e segue como um dos nortes dessa que é uma referência da música pesada. Felizmente o Iron Maiden está ainda na ativa, lançando novos álbuns e fazendo turnês, agora com o baterista Simon Dawson ocupando o lugar que era de Nicko McBrain. Vamos aproveitar os últimos momentos da carreira da Donzela.

Seventh Son of a Seventh Son – Iron Maiden
Data de lançamento – 11/04/1988
Gravadora – EMI
Faixas:
01 – Moonchild
02 – Infinite Dreams
03 – Can I Play With Madness
04 – The Evil That Men Do
05 – Seventh Son of a Seventh Son
06 – The Prophecy
07 – The Clairvoyant
08 – Only The Good Die Young
Formação:
- Bruce Dickinson – vocal
- Steve Harris – baixo/ sintetizadores
- Adrian Smith – guitarra/sintetizadores
- Dave Murray – guitarra
- Nicko McBrain – bateria