Memory Remains

Memory Remains: Alice in Chains – 30 anos de “MTV Unplugged” e o início da despedida de Layne Staley

30 de julho de 2026


Há 30 anos, em 30 de julho de 1996, o Alice in Chains lançava “MTV Unplugged“, uma das apresentações mais icônicas da série acústica que as bandas realizaram na MTV durante a década de 1990, e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira.

Gravado no dia 10 de abril de 1996, no Majestic Theatre, em Nova Iorque, esta foi a primeira apresentação do Alice in Chains depois de dois anos e meio sem aparições, o que gerou inúmeros boatos sobre a separação da banda e até mesmo da morte de Layne Staley, que chegou a escrever a letra de “Grind“, em resposta aos que achavam que ele estava morto. A música entrou no álbum auto-intitulado, lançado em 1995, mas não fez parte do repertório deste show.

Este também foi um dos últimos shows a contar com Layne Staley. Embora ela tenha falecido em 2002, a banda fez alguns poucos shows em 1996 e entrou novamente em hiato. A MTV transmitiu o show em 28 de maio daquele ano, dois meses antes do lançamento em CD. A versão da MTV teve três músicas cortadas: “Angry Chair“, “Frogs” e a inédita “Killer is Me“. Elas estão presentes no CD e no vídeo lançados pela banda.

O baixista Mike Inez usou um adesivo em seu baixo acústico que dizia “Friends Don’t Let Friends Get Friends Haircuts” (“Amigos não deixam amigos fazerem um corte de cabelo de amigos”). Era uma provocação ao Metallica, já que os membros haviam cortado os cabelos. Eles estavam na platéia acompanhando a apresentação, o que explica a introdução de “Enter Sandman“, tocada pelo próprio Mike Inez, antes de a banda tocar “Sludge Factory“.

Já fazia algum tempo que a MTV estava insistindo para que o Alice in Chains se apresentasse neste modelo acústico, que a banda não estava habituada. Após aceitarem o convite, era hora de ensaiar, mas os ensaios quase sempre terminava em improvisos. Apesar do estado de saúde delicado que Layne Staley atravessava, por conta do seu vício em heróina, todos que escutaram a performance do saudoso frontman, ficaram satisfeitos.

No dia da apresentação, Jerry Cantrell estava sofrendo de uma intoxicação alimentar, devido a um cachorro-quente que havia comido antes do show. Foi colocada uma lata de lixo ao seu lado para que ele vomitasse, caso necessário. Layne Staley enfrentava uma crise de abstinência. Ele havia levado consigo um vidro com heroína pronta para uso e consumiu um pouco antes da performance acontecer.

Apesar de não ter feito uso da lixeira colocada do seu lado, durante a execução do set, tão logo a apresentação se encerrou, Jerry Cantrell sentiu os efeitos do cachorro-quente. O próprio guitarrista contou o que aconteceu e como se sentiu ao término. Aspas para o guitarrista:

“Quando as luzes ficaram verdes, as câmeras começaram a gravar, meu corpo me deu a adrenalina e a dopamina que eu precisava para aguentar. […] Assim que acabou, voltei a me sentir mal novamente”.

Dando play na bolacha, temos uma performance surpreendente para quem estava acostumado a tocar sempre com guitarras distorcidas e pesadas. Músicas de praticamente todos os álbuns da banda entraram na playlist, a exceção foi o álbum de estréia, “Facelift“. Temos 13 canções em 71 minutos de duração, e os destaques ficam por conta de músicas como “Nutshell“, “Sludge Factory“, “Down in a Hole“, “Angry Chair“, “Rooster“, “Heaven Beside You“, “Would?“, e “Over Now“. Não a toa, esta apresentação é escolhida uma das melhores da série MTV Unplugged, juntamente com as do Nirvana e do Kiss.

Na época do lançamento, a receptividade ao álbum foi morna, mas depois se intensificou e hoje podemos dizer que trata-se de um clássico da banda. Temos depois, o baterista Sean Kinney relembrou com muito orgulho da performance da banda. Vamos abrir aspas para ele:

“Naquele momento eu soube: ‘Ok, se nunca mais fizermos nada, estou satisfeito com isso. Prefiro sair por cima do que jogar apetrechos para consumo de drogas em uma lata de lixo em um aeroporto, enquanto embarco em um avião, torcendo para não ser preso.”

O álbum marcou presença em diversas paradas de sucesso: foi 3° na “Billboard 200“, 7° na Suécia, 8° na Nova Zelândia, 9° na Noruega, 12° na Austrália, 13° na Finlândia, 15° na Bélgica, 20° no Reino Unido, 23° na Áustria, 28° na Escócia, 33° nos Países Baixos, 41° na Suiça e 46° na Alemanha. Foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido, Ouro no Canadá e Duplo Platina nos Estados Unidos.

Após o êxito na performance, o Alice in Chains foi convidado para ser a banda de abertura da turnê que o Kiss organizava. O Alice in Chains fez apenas 4 shows, e em 3 de julho, aconteceu a última apresentação com Layne Staley, que sofreu mais uma overdose, e depois de perder sua noiva Demri Parrott, vítima de overdose, aos 27 anos. Isso fez com que o frontman ficasse ainda mais recluso e se afundasse ainda mais no seu vício, até ser encontrado sem vida, em sua residência.

Depois da passagem de Staley, a banda entrou em hiato por três anos, voltando em 2005. Desde 2006, conta com o competente William DuVall, que ocupa brilhantemente o lugar que era do saudoso vocalista. O Alice in Chains lançou apenas três álbuns de estúdio nestes trinta anos, o que dá uma média de um álbum a cada dez anos, muito pouco para uma banda que brilhou muito nos anos 1990. Hoje é dia de celebrarmos o mais novo trintão da cena, enquanto aguardamos um novo álbum da banda amada por todos. E nós esperamos que isso não demore muito para acontecer.

MTV Unplugged – Alice in Chains 

Data de lançamento – 30/07/1996

Gravadora – Columbia

 

Faixas:

01 – Nutshell

02 – Brother

03 – No Excuses

04 – Sludge Factory

05 – Down in a Hole 

06 – Angry Chair 

07 – Rooster

08 – Got Me Wrong

09 – Heaven Beside You 

10 – Would? 

11 – Frogs

12 – Over Now 

13 – Killer Is Me

 

Formação:

  • Layne Staley – vocal/ violão
  • Jerry Cantrell – violão/ vocal
  • Sean Kinney – baixo
  • Mike Inez – bateria

 

Participação especial:

  • Scott Olson – guitarra/ baixo em “Killer is Me”