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Memory Remains: Kreator comemora as bodas de prata de ‘Outcast’

Memory Remains: Kreator comemora as bodas de prata de ‘Outcast’

22 de julho de 2022


Em 1997 o Heavy Metal estava em baixa, com as principais bandas lançando trabalhos não muito inspirados. E para completar, as duas mais importantes naquele momento estavam em crise. O Sepultura acabava de sofrer uma dura baixa, com a saída de seu fundador Max Cavalera, enquanto que o Pantera agonizava com os conflitos criados por Phil Anselmo. Mas sim, há bons trabalhos neste período e o Memory Remains desta sexta-feira vai tratar de “Outcast“, o oitavo disco do Kreator, que comemora suas bodas de prata.

Ainda distante do Thrash Metal oitentista que o consagrou, a banda buscava se reinventar, como a maioria das bandas do estilo, no que podemos chamar de crise de identidade que quase todas as bandas passaram. Este é um dos bons lançamentos do ano de 1997 e chega aos 25 anos neste 2022.

No nosso aniversariante temos um som bem moderno, sem soar chato, por vezes flertando com o Industrial. Embora estivesse em um período experimental, o Kreator vinha de um álbum mais próximo do Thrash Metal e com músicas mais rápidas, “Cause for Conflict”, lançado em 1995. Mas a banda optou em tirar o pé do acelerador de maneira brusca e o experimentalismo musical alcançaria seu ápice no sucessor, “Endorama”, que é, de longe, o trabalho menos brilhante dos alemães. Em uma grossa comparação, “Outcast” é infinitamente superior ao trabalho lançado posteriormente.

Se “Cause for Conflict” seria marcado pela ausência do baterista Ventor, ele estava de volta para gravar “Outcast” Outra mudança realizada no lineup seria a saída do guitarrista Frank Blackfire, que depois ficaria mais conhecido por nós brasileiros, já que se mudaria para cá e montaria o Mystic. Em seu lugar, seria recrutado Tommy Vetterli. E a nova formação se trancaria no “Principal Studios”, na cidade de Münster, Alemanha. A mixagem se deu no “Wisseloord Studios”, na Holanda, Wincent Wojno assinaria mais uma vez a produção

As quatro primeiras músicas são as que se destacam neste play e não é porque as demais sejam ruins e sim pelo fato destas serem músicas fortes e marcantes, ainda que aqui o Thrash Metal que fez a banda angariar sua legião de fãs não seja praticado nem de longe. Vamos lá destrinchar cada uma delas: “Leave This World Behind” traz um Kreator pesado e moderno, além de poderoso em uma faixa muito boa.

Já “Phobia”, em minha opinião, e na do seu criador, Mille Petrozza, é a melhor composição da banda, de acordo com uma entrevista que ele deu para a revista Rock Brigade certa vez. Ela é outra faixa poderosa, com riffs maravilhosos e a forma como Mille canta os versos, repetindo as últimas frases, fazem a música grudar como um chiclete em sua mente, não há como esquecê-la.

Forever”, a faixa três é bem densa e conta com ótimos riffs também e conta com um clima desesperador. Fechando o quadrado mágico, temos ”Black Sunrise” onde Mille Petrozza apresenta um vocal limpo nas estrofes e volta a mostrar o rasgado no refrão, em outra música densa e linda.

Nonconformist” tem um andamento mais rápido do que as demais, não chegando a ser Thrash, mas também se destaca, ainda mais com a pegada do batera Ventor e seu Dumbo duplo. “Enemy Unseen” começa com outros ótimos riffs e se desenvolve de maneira parecida com a faixa que abre o disco, ao menos nas estrofes, sendo um pouco menos brilhante do que as demais.

Christoph Voy/Nuclear Blast

A faixa título é arrastada, podemos dizer que é um flerte intenso com o Doom Metal e ficou muito boa essa tentativa do Kreator. O refrão com clima de desespero é outra coisa maravilhosa deste play. “Stronger Than Before” tem um clima épico e também pode ser incluída nos destaques.

Ruin of Life” é mais voltada ao Hard Rock, tendo o vocal rasgado do Thrash Metal de Mille Petrozza e também não compromete. “Whateaver it May Take” pode até não fazer parte do tal quadrado mágico onde estão as quatro primeiras faixas, mas ela chega bem perto. É uma música com uma energia intensa e também com muito peso,

Alive Again” tem riffs e batidas muito boas, em uma música que se desenvolve em um compasso mais lento que a anterior, ganhando um pouco de velocidade nos momentos finais. “Against the Rest” apresenta bons riffs e traz de volta a sonoridade moderna do Kreator dos anos 90 em uma música apenas mediana. “A Better Tomorrow” tem uma levada interessante e encerra bem um álbum com uma proposta bem diferente, tal como os álbuns que a banda lançou ao longo dos anos 1990.

Em 47 minutos temos uma audição bastante agradável, embora estranha para quem está acostumado com álbuns como “Extreme Aggression” ou “Coma of Souls”, por exemplo. Mas “Outcast” tem o seu valor. No ano de 1998, o álbum foi relançado com um CD bônus, contendo a apresentação que a banda realizou no “Dynamo Open Air” daquele mesmo ano,

Hoje é dia de celebrar este disco, ainda que um ou outro fã old-school torça o nariz. ‘Outcast’ é sim um álbum acima da média e o Kreator merece todos os confetes. E para nossa alegria, o quarteto alemão segue na ativa, superou a pandemia sem sofrer maiores danos e acaba de nos presentear com o ótimo ‘Hate Über Alles’, candidatíssimo ao posto de melhor álbum do ano. O tempo só fez bem para a banda e desejamos longa vida para eles e que sigam sendo mais uma das vozes antifas no cenário, repleto de fãs e músicos conservadores, que não entenderam o espírito do Rock/ Metal.

‘Outcast’ – Kreator

Data de lançamento – 22/07/1997

Gravadora – Gun Records

Faixas:

01 – Leave This World Behind
02 – Phobia
03 – Forever
04 – Black Sunrise
05 – Noncoformist
06 – Enemy Unseen
07 – Outcast
08 – Stronger Than Before
09 – Ruin of Life
10 – Whateaver it May Take
11 – Alive Again
12 – Against the Rest
13 – A Better Tomorrow

 

Formação:

Mille Petrozza – Vocal/ Guitarra
Ventor – Bateria
Christian Giesler – Baixo
Tommy Vetterli – Guitarra

 

Participações especiais:

Guido Eickelmann – Programação

Vincent Song – Programação/ Piano