Memory Remains

Memory Remains: Metallica – 30 anos de “Load” e a surpreendente mudança no som e no visual

4 de junho de 2026


Há 30 anos, em 4 de junho de 1996, o Metallica lançava o disco mais controverso de sua carreira até então, porque depois eles iriam lançar discos questionáveis como “Reload” e “St. Anger” que só não arruinaram a carreira porque se tratava do Metallica. O Memory Remains desta quinta-feira vai tratar de um disco que é uma dádiva, se comparado a esses outros dois citados: “Load“, o sexto álbum da discografia da mais bem sucedida dentre todas as bandas de Heavy Metal.

Na segunda metade dos anos 1990 o mundo aguardava com imensa ansiedade por um novo disco do Metallica. O sucessor do álbum preto, que fez um sucesso estrondoso e colocou a banda definitivamente entre as maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos, era cercado de expectativa e todos se perguntavam como seria o Metallica mainstream. Rápido como em “Master of Puppets” ou seria mantida a sonoridade limpa e mais radiofônica como no antecessor? A banda surpreendeu a todos. Para o bem e para o mal.

O radicalismo se deu tanto na som quanto no visual. Todos cortaram seus cabelos e mudaram suas vestimentas. Talvez influenciadas pelas bandas de Grunge e Post- Grunge que faziam sucesso na época. E gerou diversas acusações dos fãs, que a banda havia se vendido, que eles não eram mais como antigamente. Mas para escutar “Load“, temos que tirar da cabeça que se trata do Metallica Thrash Metal, porque sim, é um belo álbum de Hard Rock. Mas a crise que afetou a criatividade de quase todas as bandas de Heavy Metal nos anos 1990, também atingiu o quarteto.

Após a longa turnê, os caras se reuniram em Sausalito, Califórnia, mais precisamente no The Plant. Bob Rock foi novamente contratado para a produção, mas desta vez ele não está a sozinho: James Hetfield e Lars Ulrich atuaram na co-produção. Eles ficaram trancafiados entre maio de 1995 e fevereiro de 1996, em regime de sigilo, com direito a alguns poucos shows, incluindo uma como headliner no famoso Monsters of Rock. A pequena agenda de shows recebeu o nome de “Escape From the Studio Tour” (turnê de fuga do estúdio, em  tradução livre).

Um álbum bastante longo, são 78 minutos que mostra uma nova faceta do Metallica. Na verdade, foi a continuação do divisor de águas iniciado cinco anos antes com o já citado “Black Album“. Era um caminho sem volta. O quarteto havia se tornado mainstream e abandonado os cabelos longos e o Heavy Metal. Ao contrário do que dizem os haters, “Load” é sim um baita disco de Rock e se fosse lançado por qualquer outra banda, seria mais elogiado. Sim, dá saudade de escutar um novo disco de Thrash Metal do Metallica, mas eles optaram por seguir outro caminho. A maioria dos fãs têm uma rejeição enorme, mas temos bons momentos, principalmente na primeira metade do álbum, com boas músicas como “Ain’t my Bitch“, “2×4“, “The House Jack Built“, “Until It Sleeps” e “Hero of the Day”, além de uma bela balada na parte final, “Mama Said“, uma ode de James Hetfield à sua mãe.

À época, o pessoal pegou pesado nas críticas. Desde a mudança no visual e no som, passando pela capa que retrata uma mistura bem estranha entre sangue e esperma, até mesmo acusações fortes que hoje não têm o menor sentido, sobre a orientação sexual de Lars Ulrich e Kirk Hammet. Coisas absurdas, que parecem não ter afetado a banda, que segue na ativa arrebatando multidões por onde quer que estejam e recentemente até passou pelo Brasil, com direito a um parto durante a apresentação de Curitiba, em 2023.

Load” vendeu bastante, é bem verdade que muitos revoltados devem ter quebrado os discos quando perceberam que não havia mais Thrash Metal ali. Foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido, Platina na Alemanha, triplo Platina na Finlândia e cinco vezes platina nos Estados Unidos. Nos charts, poucas aparições: alcançou o topo da “Billboard 200” e nas paradas britânicas. Na Finlândia, alcançou a 43ª posição. Os singles “Ain’t my Bitch” e “Until It Sleeps” alcançaram o topo na “Billboard“.

Load” é o sexto álbum com o maior número de músicas lembradas nas apresentações ao vivo da banda, sendo o primeiro da fase pós-Black Album com mais músicas tocadas ao vivo. As músicas mais tocadas são “King Nothing“, “Until it Sleeps“, “Ain’t my Bitch” e “Bleeding me“. A primeira das citadas, foi tocada na apresentação mais recente da banda, que aconteceu na noite de ontem, em Bolgona, Itália.

De lá pra cá, a banda seguiu lançando álbuns que em nada lembram os áureos momentos, mas o que mais impressiona é que o Metallica segue sendo uma máquina de ganhar dinheiro. “Load” é um álbum que merece uma chance, caso você tenha ainda algum tipo de preconceito com ele. O Metallica segue em plena atividade, lançando álbuns e fazendo shows. Vamos celebrar o mais novo trintão do Rock.

 

Load – Metallica
Data de lançamento – 04/06/1996
Gravadora – Elektra

Faixas:
01 – Ain’t my Bitch
02 – 2×4
03 – The House Jack Built
04 – Until It Sleeps
05 – King Nothing
06 – Hero of the Day
07 – Bleeding me
08 – Cure
09 – Poor Twisted me
10 – Wasting my Hate
11 – Mama Said
12 – Thorn Within
13 – Ronnie
14 – The Outlaw Torn

Formação:

  • James Hetfield – vocal/ guitarra/ violão
  • Lars Ultich – bateria
  • Kirk Hammet – guitarra
  • Jason Newsted – baixo