Resenhas

Welcome To My Heart

Zachary Mason

Avaliação

8.5

Zachary Mason chega com seu novo álbum EP, ‘Welcome To My Heart’, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de indie rock, pop cinematográfico e folk sombrio, com tom intimista que refletem sua trajetória musical e pessoal O trabalho de 3 faixas mergulha em temas sombrios e introspecção com texturas ambientais e estética acústica moderna em um universo emocionalmente expansivo, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas, e este álbum é mais um passo firme em sua jornada sonora.

Aos 28 anos, Zachary Mason vive em Guildford, na Inglaterra, e mantém uma produção musical intensa desde 2021, quando começou a gravar suas próprias composições em um equipamento recebido de um familiar. Desde então, escreveu centenas de demos transitando entre folk, rock e música acústica. Agora, o artista entrega um trabalho que não serve como música de fundo, é necessário embarcar nessa viagem e prestar atenção em cada faixa, com letras voltadas para temas como tristeza, conflitos internos e superação. O lançamento aposta em arranjos delicados para conduzir narrativas pessoais e emocionais.

A produção do EP contou com nomes conhecidos da indústria musical. A mixagem e a masterização ficaram a cargo de David E Beats, produtor e engenheiro de som indicado ao Grammy, que também gravou guitarra rítmica e baixo na segunda faixa. O projeto ainda traz a participação do baterista Nate Barnes, da banda de rock Rose Hill Drive, nas faixas dois e três, além do baixista John Thomasson, integrante do grupo country Little Big Town, presente na terceira música, músicos talentosos infundem o álbum com um som único e cativante que o diferencia.

A abertura com “Can’t Feel My Autumn…”  já mostra suas origens enigmáticas e a melancolia, abrindo espaço para um folk suave com sentimento profundo e vocais distante e angustiados. Logo na primeira faixa o artista transmite sua lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte. Temos o violão acústico inspirado no folk místico em e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais trabalhado e emocionado. Uma orquestra como pano de fundo passeiam com vocais descolados e fortes trazem uma autenticidade difícil de ignorar, ganhando intensidade em um refrão que convida o ouvinte para fazer parte – essa é a faixa mais sombrio.

O disco tem variações de sentimento, na faixa “I need Freedom”, o clima muda para algo mais libertador, mais movimentado, mas mantendo o clima introspectivo, com uma faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação, com orquestra sempre presente, como se estivéssemos em uma floresta mística – Aqui vemos muita influência de Aurora. A faixa resgata uma pegada old school do golk rock com um tom robusto e denso ao mesmo tempo que flerta com o moderno. Aqui o músico prova sua autenticidade, em não pisar no freio quando o assunto é inovar e criar músicas ousadas. O ritmo dessa faixa é maravilhoso e nos faz dançar suavemente e nos sentir uma paz libertadora.

A última faixa, “Me and I” nos transporta para as florestas desertas e frias, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com as já amigáveis linhas de violão, em um instrumental de arrepiar. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte. A música explora um som mais soturno, onde o tom pop se destaca com uma linha minimalista e poderosa. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, é um folk pop mais comercial mas que deixa nítido suas raízes, sem se preocupar com fórmulas para o sucesso. O inicio com linhas sonhadores, batida indie, piano nostálgico e vocais acolhedores. O tom nesta é suave e bem sentimental, mas os vocais aconchegantes e perfuram o coração – remetem ao tom mais progressivo de Pink Floyd. A faixa que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo.

Em ‘Welcome To My Heart’ sentimos a energia do inverno, com um instrumental mais acústico e que lembra tons etéreos em uma coleção de músicas emocionantes. Esse trabalho parece transitar do ruído interior para a quietude — usando a música como forma de criar espaço, clareza e calma e isso definitivamente está exposto em seu EP magnifico. Zachary entrega uma obra que mistura peso, melancolia e experimentação, tudo com um toque místico que só ele sabe fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez.