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limmbo lança ‘glitter eyes’, sobre o dilema da inocência ou trapaças do olhar

limmbo lança ‘glitter eyes’, sobre o dilema da inocência ou trapaças do olhar

9 de setembro de 2026


‘Glitter eyes’, nova música do limmbo, começou a tomar forma quando uma expressão encontrada no título de uma entrevista com o australiano Luke Hemmings, uma de suas referências, recuperou um comentário ouvido por ele desde cedo: seus olhos brilham diante das coisas como os de uma criança ao descobrir algo novo.

Ouça ‘glitter eyes’ aqui: found.ee/GlitterEyes

Esta é a gênese e o insight para a música nova e a estreia do artista santista limmbo (@limmbo2001) na Casalago Records, que chega neste 9 de setembro ao streaming, a primeira gravação sob o nome adotado neste ano.

O rock alternativo conduzido pela tensão do post-punk abre a divulgação de um álbum já em construção.

As fotografias em preto e branco, compostas de um ensaio com Giovanna Barbosa enquanto trabalhava em outras canções destinadas ao disco, também contam a origem desta canção.

A expressão “glitter eyes” aproximou aquelas imagens da forma fascinada pela qual ele costuma observar a vida e levou ao verso “I don’t see the world in black and white”, ou “eu não enxergo o mundo em preto e branco”.

Encanto no olhar

A letra acompanha alguém capaz de conservar o encanto no olhar, mas vê essa perspectiva ameaçada por pensamentos alheios, responsabilidades e experiências difíceis. O dilema está em decidir se vale a pena defender essa maneira de enxergar a vida ou aceitar uma leitura mais dura, pessimista e sem cor.

Os versos recusam separações absolutas. Pessoas e sentimentos não são inteiramente bons ou ruins, felizes ou tristes. Há sempre algo no meio, mesmo quando crenças e costumes começam a vacilar.

No refrão, limmbo procura a inocência escondida atrás dos olhos de glitter e pergunta se perdeu a capacidade de perceber aquilo que antes o fascinava. A ponte responde sem resolver o conflito: “Só porque brilham, não significa que não se machucaram”. O brilho não apaga a dor, mas pode sobreviver a ela.

A dúvida se aproxima de uma experiência pessoal do músico. Aos 25 anos, limmbo reconhece no chamado “espírito de criança” uma força decisiva em sua relação com a arte e com a vida.

O passar do tempo, porém, acrescenta compromissos, frustrações e responsabilidades capazes de abalar esse impulso. “glitter eyes” nasce desse ponto de instabilidade, diante de uma pergunta que orienta todo o lançamento: trata-se do início de uma angústia ou do fim de uma beleza?

Sonoridade de glitter eyes

A sonoridade parte de uma levada de violão usada como base rítmica da composição. A bateria acelerada acompanha esse movimento, enquanto baixo e guitarras aproximam o arranjo do rock alternativo e do post-punk de The Cure e Paramore.

Teclados melodiosos alteram a dinâmica nos pré-refrões. Quando o refrão chega, a repetição de “my, my, my, my, my” fixa a melodia, cercada por um riff flutuante de guitarra distribuído pelos dois canais do áudio.

Os vocais também respondem ao conflito da letra. limmbo começa o primeiro verso com maior intensidade e reduz a pressão no refrão e na segunda parte, em passagens mais suaves e próximas.

A mudança de interpretação coloca fascínio, dúvida e angústia na própria voz, enquanto o instrumental mantém o movimento acelerado.

Enzo Santana Borges assina composição, produção, guitarra, baixo, violão, vocais, mixagem e masterização. Todo o processo ocorreu em seu home studio, com equipamentos caseiros e sob a referência da cultura DIY.

Outros singles serão lançados antes do disco completo. limmbo também prepara um videoclipe dirigido por ele mesmo, formado em Cinema e Audiovisual.

Do quarto à Casalago Records, sua trajetória

Antes de assumir o nome limmbo, Enzo Borges construiu um catálogo voltado a experiências pessoais de ansiedade, sexualidade, autoimagem, amadurecimento e amor. O EP A Few Thoughts in a New Year’s Eve, lançado em 2019 com gravações centradas em voz e ukulele, registrou o começo dessa produção independente.

Dois anos depois, o álbum nineteen tratou a passagem à vida adulta como uma espécie de trilha sonora de formação, posteriormente ampliada em uma edição deluxe.

Em 2025, i care about what you think of me aprofundou as questões ligadas à maneira como o olhar externo interfere na percepção individual. Uma de suas composições, “dancing with wolves”, levou esse conflito a um ambiente de trabalho dominado por pressão, preconceito e masculinidade tóxica. Dirigido por Caroline Famula e Giovanna Barbosa, o videoclipe foi selecionado para a Mostra Videoclipe Caiçara da 23ª edição do Curta Santos.

A entrada na Casalago Records coincidiu com a adoção de limmbo como nome artístico. A escolha surgiu do conforto encontrado por Enzo em não-lugares, como estradas e aeroportos, espaços de passagem nos quais a obrigação de assumir uma definição fixa perde força.

O conceito também dialoga com sua vivência como artista bissexual e birracial e com a coexistência de alegria, melancolia, intensidade e delicadeza em suas composições.

“Sempre fui muito sonhador e imaginativo, e sentia um intenso senso de conforto em ‘lugares-não lugares’, como estradas ou aeroportos”, afirma limmbo. “Aquele meio do caminho, em que você não tem a responsabilidade de ser qualquer coisa, justamente também te faz ser o que você quiser. Essa sensação de dualidade e infinitude sempre me contemplou.”

A ideia se completa na possibilidade de duas condições contraditórias permanecerem juntas sem exigir uma escolha. “Duas coisas que soam contraditórias podem coexistir ao ponto de virarem uma só. Sempre me vi como a prova viva disso, e sinto que isso se reflete no meu trabalho”, explica.

Mais informações

instagram.com/limmbo2001

linktr.ee/limmbo2001