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Sanctuary estreia no Brasil com show histórico na Burning House, em São Paulo

Sanctuary estreia no Brasil com show histórico na Burning House, em São Paulo

31 de agosto de 2026


Crédito das fotos: Carlos Pupo/Headbangers News

São Paulo sempre foi um porto seguro e um território sagrado para o heavy metal, mas a noite deste domingo, 30 de agosto, reservava algo ainda mais especial na Burning House. Para quem acompanhou a trajetória do Sanctuary desde a ebulição da cena de Seattle nos anos 1980, a expectativa não era apenas a de ver uma lenda do power/thrash em action, mas a de presenciar o triunfo de um repertório imortal. Fundada pelo guitarrista Lenny Rutledge, a banda construiu seu nome combinando riffs cortantes, atmosferas sombrias e uma sofisticação melódica rara. O que se viu no palco paulistano passou longe de uma fria recapitulação do passado: foi uma celebração calorosa, afiada e profundamente vibrante, capaz de honrar a memória do saudoso Warrel Dane e reafirmar a força de um grupo que recusa o comodismo e entrega cada nota com devoção absoluta.

A maratona sonora começou com a banda pisando no palco demonstrando um entusiasmo contagiante. Desde os primeiros acordes de “Arise and Purify” e a densa “Frozen” (ambas do aclamado álbum de retorno The Year the Sun Died, de 2014), ficou claro o quanto o quinteto estava radiante por estar em São Paulo. O membro fundador e guitarrista Lenny Rutledge, visivelmente empolgado, não escondia a alegria entre um riff e outro, trocando olhares e sorrisos com a plateia. Ao seu lado, a cozinha rítmica impecável formada pelo baterista original Dave Budbill e pelo baixista George Hernandez garantia uma base avassaladora, enquanto o recém-chegado guitarrista Will Wallner trazia ainda mais peso às bases e solos.

No centro do palco, o vocalista Joseph Michael (que assumiu o posto em 2018) encarou com extrema maestria o desafio de carregar o manto imortalizado por Warrel Dane. Longe de ser apenas um executor técnico, Joseph esbanjou simpatia e comunicação direta com o público paulistano: conversou entre as faixas, agradeceu o carinho da recepção e conduziu a plateia com uma energia magnética e tomava de sua garrafa de vinho.

Tecnicamente, a atuação de Joseph Michael beirou o irretocável. Dono de um alcance vocal formidável e de um controle de respiração impecável, ele transitou com naturalidade entre as linhas melodiosas e rasgadas da fase mais recente até os falsetes e agudos agudosíssimos que consagraram o grupo nos anos 80. Em faixas exigentes como “Die for My Sins” e “Future Tense”, atingiu notas estratosféricas com projeção e sustentação impressionantes, sem demonstrar desgaste vocal ao longo do set. Sua presença de palco aliou a dramaticidade teatral necessária ao metal progressivo e sombrio da banda a uma postura extremamente carismática, dominando a linha de frente com gestos expansivos e um olhar atento que conectava constantemente o microfone à resposta da pista.

O show, absurdamente técnico e coeso, atingiu seus primeiros grandes picos ao resgatar as relíquias de Refuge Denied (1988) — clássico produzido por Dave Mustaine, do Megadeth — e da obra-prima Into the Mirror Black (1990). A sequência brutal de “Die for My Sins”, “Seasons of Destruction” e o hino “Future Tense” fez a Burning House estremecer. A banda também relembrou sua capacidade única de reinterpretar influências ao apresentar a psicodélica “Breathe” (cover de Pink Floyd) e a famosa versão pesada para “White Rabbit” (do Jefferson Airplane, cuja gravação original em estúdio contou até com um solo do próprio Mustaine).

Contudo, a grande marca da noite ficou reservada para a conexão humana e emocional estabelecida entre os músicos e a plateia. O carinho demonstrado por Lenny Rutledge e Joseph Michael ao exaltarem a paixão dos fãs brasileiros transformou a casa em um grande encontro de amigos do heavy metal. A reta final do set, recheada de pedradas como “Battle Angels”, “Not of the Living” e a faixa-título “The Year the Sun Died”, foi cantada a plenos pulmões, culminando em um bis apoteótico com a clássica “Soldiers of Steel”.

Aqueles que presenciaram a passagem do Sanctuary pela Burning House não assistiram apenas a uma demonstração de virtuosismo e peso técnico; os fãs receberam uma aula de como o heavy metal pode envelhecer com dignidade, garra e profunda gratidão ao seu público. A banda deixou o palco de alma lavada e com sorrisos estampados, retribuindo o amor de uma cidade que sempre soube acolher o metal com paixão. Um espetáculo histórico e inesquecível.

 

SETLIST SANCTUARY

Arise and Purify

Frozen

Die for My Sins

Seasons of Destruction

Veil of Disguise

Future Tense

Taste Revenge

Long Since Dark

Epitaph

The Mirror Black

Breathe (Pink Floyd cover)

White Rabbit (Jefferson Airplane cover)

Battle Angels

Not of the Living

The Year the Sun Died

Encore:

Soldiers of Steel

Galeria do show