Memory Remains

Memory Remains: Rage Against The Machine – 30 anos de “Evil Empire” e as minorias tendo as vozes representadas

16 de abril de 2026


Há 30 anos, em 16 de abril de 1996, o Rage Against The Machine lançava “Evil Empire“, o álbum de número dois da banda que melhor coloca em prática a consciência de classe, e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira.

A banda vinha do aclamado disco de estreia, auto intitulado, que rendeu notoriedade imediata ao quarteto, além de explodir em vendas, sendo certificado com Discos de Ouro, Prata e Platina em diversos países mundo afora. Era uma difícil missão superar o primeiro lançamento, eles tinham ciência disso. Assim sendo, todos se reuniram no Cole Rehesal Studios, em Los Angeles, Califórnia, na companhia do produtor Brendan O’ Brien, que vinha de ótimos trabalhos com o Pearl Jam e Rush. Eles ficaram trancafiados por lá entre março de 1995 e fevereiro de 1996 para sair com esse petardo.

O título do álbum é uma referência ao discurso que o presidente estadunidense Ronald Reagan fez para a Associação Nacional dos Evangélicos, no ano de 1983. Ele usou o termo “Evil Empire” para se referir à antiga União Soviética e também afirmar que o país era “o foco do mal no mundo moderno”. Precisamos lembrar que na ocasião, vivíamos a Guerra Fria, onde o mundo se dividiu em dois blocos, o capitalista, liderado pelos Estados Unidos e o socialista, liderado pela então União Soviética, que era composto pela Rússia e os países que hoje são “independentes” como por exemplo, Ucrânia, Azerbaijão, Moldávia, Belarus, Turcomenistão, entre outros adjacentes.

O Rage Against the Machine apostava em uma sonoridade diferente de suas bandas contemporâneas. Na década de 1990, o Heavy Metal entrou em um ocaso, assim como as bandas de Hard Rock. Nos primeiros anos, as bandas do chamado movimento grunge emergiram com força, mas a banda de Tom Morello e Zack de la Rocha atacavam na vertente alternativa, com vocais de rap e alguma influência mais pesada. E na época do lançamento do aniversariante do dia, eram as bandas pós-grunge e Poppy Punk quem mandavam. Mas o RATM por fazer diferente, se consolidou. Muito ajudou também a temática da banda e a consciência de classe dos caras. Uma das músicas, “Without a Face”, inclusive, tem uma história contada por Zack, que falou sobre a letra, durante uma apresentação ao vivo em 1996. Aspas para o líder da banda:

“Parece que assim que o muro na Alemanha caiu, o governo dos EUA estava ocupado construindo outro na fronteira entre os EUA e o México. Desde 1986, como resultado de muito discurso de ódio e histeria que o governo dos Estados Unidos tem falado, 1.500 corpos foram encontrados na fronteira. Nós escrevemos essa música em resposta a ela.”

Para escutar o Rage Against the Machine, é preciso estar em sintonia com as ideias pregadas pelo grupo, pois se o ouvinte vive em um mundo paralelo, além de não entender nada da mensagem dos caras, vai discordar, usando argumentos rasos como os dos defensores do atual ex-presidente que cumpre pena por tentativa de golpe de estado, porque não apoiamos anistia para golpistas.

O álbum é composto por onze faixas e tem duração de 46 minutos. Os grandes destaques aqui ficam por conta de “People of The Sun“, “Bulls on Parade“, “Vietnow” “Revolver” (vamos explicar para os que defendem anistia, que a letra não é uma apologia ao armamento, que fique bem claro), “Tire me“, “Snakecharmer” e “Year of The Boomerang“, que faz deste álbum um verdadeiro petardo, além de, claro, uma aula de consciência de classe, tão necessária em tantos fãs de Rock atualmente. O álbum foi bem recebido pela crítica e público. A banda saiu em turnê pelos Estados Unidos entre os meses de julho e agosto daquele ano.

É um disco que foi super premiado e com todo o merecimento. Estreou em 1° na” Billboard 200“, mesma posição alcançada na Suécia, França e na categoria Rock e Metal Álbuns do Reino Unido. Ficou em 2° na Austrália, Áustria, Alemanha e Noruega; 3° na Nova Zelândia, 4° na Suiça, Reino Unido, Holanda e Dinamarca: 5° na Finlândia, 6° na Bélgica e 10° Escócia e na Espanha. Não somente isso, o álbum foi certificado com Disco de Ouro na Austrália, Bélgica, Espanha e Reino Unido, Platina no Canadá e triplo Platina nos Estados Unidos. Em 1997, a banda ganhou o Grammy Awards na categoria Melhor Performance de Metal com a música “Tire me“. Na mesma edição do Grammy, as faixas “Bulls on Parade” e “People of the Sun” foram indicadas na categoria Melhor Performance de Hard Rock, mas não levaram, uma pena, pois são duas músicas sensacionais.

Enfim, hoje é dia de celebrar esse baita disco. Uma pena que o RATM não está mais em atividade, a banda que é nota 10 no som e nota 1000 no seu ativismo. Seria tão bom se existissem mais bandas como estes quatro gênios. Vamos escutar esse disco no volume máximo, porque a resistência a esse sistema opressor precisa continuar. Tom Morello continua em plena atividade, lutando contra o fascismo e os governantes autoritários. Precisamos de mais bandas como o Rage Against The Machine. Para desespero de quem sofre do mal impregnado em nossa sociedade desde sempre.

Evil Empire – Rage Against the Machine

Data de lançamento – 16/04/1996

Gravadora – Epic

 

Faixas:

01 – People of the Sun

02 – Bulls on Parade

03 – Vietnow

04 – Revolver

05 – Snakecharmer

06 – Tire me

07 – Down Rodeo

08 – Without a Face

09 – Wind Below

10 – Roll Right

11 – Year of the Boomerang

 

Formação:

  • Zack de la Rocha – vocal
  • Tom Morello – guitarra
  • Tim Commerford – baixo
  • Brad Wilk – bateria