Crédito das fotos: Jaqueline Souza/Heavy Metal On Line
A primeira apresentação do Bloodbath no Brasil aconteceu na terça-feira, 8 de setembro, no Carioca Club, em São Paulo, com produção da Tumba Produções, em uma noite que reuniu também Warshipper, NervoChaos e The Haunted. A programação extensa, iniciada ainda no começo da noite, poderia ter sido prejudicada pelo dia útil, mas o público respondeu bem, e a casa apresentou uma ocupação expressiva ao longo do evento, especialmente durante as duas atrações suecas.
A escolha por começar cedo fazia sentido diante de uma programação com quatro bandas e ajudou a distribuir melhor o fluxo de público. O Warshipper abriu a noite, apresentando material ligado a Antagonist, enquanto o NervoChaos veio na sequência em um momento importante de sua trajetória, marcado pelos 30 anos de atividade e pela preparação para o lançamento de Chaosmongers. A presença das duas bandas brasileiras funcionou bem dentro da proposta do evento e evitou que a noite ficasse restrita a uma apresentação exclusivamente voltada à cena sueca.
O The Haunted subiu ao palco por volta das 20h10 cercado por uma expectativa própria. A banda não se apresentava no Brasil havia 18 anos, e isso ficou evidente tanto na resposta do público quanto na quantidade de pessoas que estavam ali especificamente para revê-la ou para assistir a uma apresentação pela primeira vez. Não havia, portanto, uma relação de mera passagem entre uma atração nacional e o headliner. O grupo ocupava um espaço relevante na programação e encontrou uma plateia já bastante envolvida quando começou o show.
O repertório foi construído de forma a equilibrar material recente e faixas mais conhecidas. “Warhead” e “In Fire Reborn” abriram a apresentação, colocando o trabalho atual da banda em primeiro plano, antes de “99” e “Trespass” retomarem uma fase mais conhecida de sua discografia. Ao longo do set, “The Flood”, “The Medication”, “D.O.A.”, “No Compromise”, “In Vein” e “Hollow Ground” dividiram espaço com músicas novas como “Hell Is Wasted on the Dead”, “To Bleed Out” e “Death to the Crown”.
A opção por não montar um repertório exclusivamente nostálgico foi acertada. Depois de um intervalo tão longo sem apresentações no país, seria previsível apoiar o retorno apenas em músicas antigas, mas o The Haunted preferiu apresentar também sua fase atual, sem deixar de atender à expectativa por faixas que já fazem parte do repertório mais reconhecido da banda. A sequência final, com “Dark Intentions”, “Bury Your Dead”, “Hate Song”, “All Against All” e “Bullet Hole”, reforçou essa combinação e manteve o nível da apresentação até o encerramento.
O show do The Haunted funcionou muito bem como antecedente da atração principal, mas sem assumir uma posição de disputa com o Bloodbath. Havia públicos e expectativas diferentes coexistindo na mesma noite. Para muita gente, o retorno do The Haunted já justificava a presença no Carioca Club. Ainda assim, a estreia do Bloodbath era claramente o principal acontecimento da programação.
Quando o Bloodbath subiu ao palco, pouco antes das 22h, a casa já estava cheia e o público concentrado na apresentação. A banda iniciou o set com “So You Die”, seguida por “Breeding Death”, estabelecendo desde o começo uma seleção que não se limitava ao álbum mais recente e que buscava percorrer diferentes momentos de sua trajetória.
“Carved” trouxe material de Survival of the Sickest, enquanto “Soul Evisceration” abriu a sequência de faixas de Nightmares Made Flesh, disco que acabou ocupando uma parte importante do repertório. “Outnumbering the Day”, “Cancer of the Soul”, “Brave New Hell” e, mais tarde, “Eaten” confirmaram o peso desse álbum dentro da apresentação.
A seleção foi bem distribuída e adequada para uma primeira passagem pelo país. O Bloodbath não apostou em um set excessivamente concentrado em uma única fase e conseguiu incluir músicas de diferentes períodos sem prejudicar a coesão do show. “Like Fire”, “Putrefying Corpse”, “Mock the Cross”, “Fleischmann” e “Let the Stillborn Come to Me” ajudaram a ampliar essa leitura da discografia e deram ao repertório um caráter mais abrangente.
Esse tipo de construção fazia sentido diante de uma estreia tão tardia. Como a banda ainda não havia se apresentado no Brasil, havia um público formado por pessoas que chegaram ao Bloodbath em momentos distintos, e um repertório mais panorâmico atendia melhor a essa variedade do que uma apresentação voltada majoritariamente para o trabalho mais recente. A resposta da plateia indicou que a escolha funcionou.
O desempenho da banda também foi consistente ao longo de todo o set. O show manteve peso e precisão, sem grandes oscilações, e a execução das músicas mais antigas não destoou do material recente. A presença de palco foi mais contida do que expansiva, algo que combina com a proposta do grupo e não comprometeu a dinâmica da apresentação. O foco permaneceu na execução e na densidade sonora, com pouca necessidade de intervenções externas ao repertório.
Depois de “Let the Stillborn Come to Me”, a banda retornou para o bis com “Cry My Name” e encerrou a noite com “Eaten”, escolha previsível, mas eficiente. Como uma das faixas mais reconhecidas do repertório do Bloodbath, funcionou bem como encerramento e concentrou uma das respostas mais fortes do público.
No conjunto, a programação funcionou porque não tentou transformar as duas atrações suecas em rivais dentro do mesmo evento. O The Haunted teve uma recepção própria e um público claramente interessado em seu retorno, enquanto o Bloodbath ocupou o espaço de atração principal de maneira natural, sustentado tanto pela estreia no país quanto pela qualidade do show.
Para uma terça-feira, a presença de público foi um dos dados mais relevantes da noite. A casa cheia mostrou que havia demanda tanto pelo retorno do The Haunted quanto pela primeira apresentação do Bloodbath, e o evento conseguiu acomodar essas duas expectativas sem perder ritmo entre os shows.
A estreia do Bloodbath no Brasil foi, portanto, menos marcada por qualquer aspecto cerimonial e mais pela eficiência da própria apresentação. Com um repertório bem distribuído, execução sólida e boa resposta do público, a banda entregou um show compatível com a expectativa criada em torno de sua primeira passagem pelo país.
Setlist – The Haunted
Intro
Warhead
In Fire Reborn
99
Trespass
Interlude
The Flood
The Medication
D.O.A.
Time (Will Not Heal)
Hell Is Wasted on the Dead
To Bleed Out
Interlude
No Compromise
In Vein
Death to the Crown
Undead
Hollow Ground
Dark Intentions
Bury Your Dead
Hate Song
Encore
All Against All
Bullet Hole
Setlist – Bloodbath
Intro
So You Die
Breeding Death
Carved
Soul Evisceration
Like Fire
Outnumbering the Day
Putrefying Corpse
Cancer of the Soul
Brave New Hell
Mock the Cross
Fleischmann
Let the Stillborn Come to Me
Encore
Cry My Name
Eaten
Galeria do show
- Primeira apresentação do Bloodbath no Brasil aconteceu na terça-feira, 8 de setembro de 2026, no Carioca Club, em São Paulo. Foto: Jaqueline Souza
- Primeira apresentação do Bloodbath no Brasil aconteceu na terça-feira, 8 de setembro de 2026, no Carioca Club, em São Paulo. Foto: Jaqueline Souza
- Primeira apresentação do Bloodbath no Brasil aconteceu na terça-feira, 8 de setembro de 2026, no Carioca Club, em São Paulo. Foto: Jaqueline Souza
- Primeira apresentação do Bloodbath no Brasil aconteceu na terça-feira, 8 de setembro de 2026, no Carioca Club, em São Paulo. Foto: Jaqueline Souza



