Há 3 anos, em 4 de agosto de 2023, a Crypta lançava “Shades of Sorrow“, o segundo álbum da banda, e que é tema do nosso Memory Remains desta terça-feira. Hoje nosso quadro vai homenagear as guerreiras do Metal brasileiro.
A banda colhia os frutos do primeiro álbum, o excelente “Echoes of the Soul“. As meninas se apresentaram em festivais como o Rock in Rio, Wacken Open Air (2022) e o Summer Breeze Brasil (2023). Mas neste meio tempo, houve uma mudança no lineup: a guitarrista neerlandesa Sonia Anubis saiu e deu lugar para Jéssica Di Falchi. O aniversariante do dia é o primeiro e único álbum a contar com Jéssica.
O quarteto retornou ao Family Mob Studio, de propriedade do ex-baterista do Sepultura, Jean Dolabella, em São Paulo, onde gravaram o álbum durante o mês de fevereiro de 2023. A produção é assinada por Rafael Augusto Lopes e Gabriel Bonilha. A mixagem aconteceu no 33 Stockholm, na Suécia, e a masterização aconteceu no Fascination Street Studio, sob a batuta do renomado produtor Jens Börgen.
Em “Shades of Sorrow“, as meninas estão soando mais maduras, uma prova de que o tempo na estrada fez bem, principalmente para quem tinha ficado algum tempo em quarentena, devido a pandemia de COVID-19, que paralisou temporariamente as nossas vidas de maneira geral. E ainda há aqueles que duvidem que o vírus matou tanta gente. Ainda há espaço para a inserção de teclado, que aqui foi tocado por Pablo Greg.
A arte da capa é assinada por Raul Campos. Na parte lírica, uma pequena mudança em relação ao primeiro álbum: se em “Echoes of the Soul“, algumas das letras tratavam de temas obscuros, e agora neste mais recente trabalho, o tema central é a luta contra a depressão, ansiedade e os traumas.
Hora de dar play na bolacha, e a Crypta nos traz um baita play. São 13 faixas, sendo que três delas são vinhetas. Então, na prática, temos dez petardos, e a duração total é de 51 minutos. Os destaques ficam por conta de “Dark Clouds“, “Stronghold“, “The Other Side of Anger“, “Trail of Traitors“, “Lullaby for the Forsaken” e “Lord of Ruins“. A sensação é de ser atropelado por três caminhões sem freio descendo uma ladeira. A gente entende as razões de tanta gente ter um pré-conceito com elas.
A receptividade foi incrível. A imprensa especializada teceu elogios ao álbum, os fãs da banda abraçaram o novo trabalho. A exceção foram os marmanjos que se incomodam com o trampo das gurias, e principalmente, pelo posicionamento político-partidário da líder Fernanda Lira, que não se incomoda nem um pouco com os haters. Ela sabe como poucos usar o ódio de uma minoria barulhenta a seu favor e de sua banda.
O álbum entrou em algumas paradas de sucesso: foi 23° na Alemanha, 43° na Suiça, 52° na Áustria, e o destaque maior foi a aparição na badalada “Billboard“, onde figurou em duas subcategorias: a Top Current Albuns Sales (71°) e Emerging Artists (41°), além de ter registrado cem mil cópias vendidas nos Estados Unidos. Parece pouco, mas é um grande feito.
A Crypta caiu na estrada, a turnê foi bem longa e passou por diversas partes do mundo. No ano passado, Jéssica Di Falchi anunciou sua saída da banda, e hoje faz parte do Korzus. Em seu lugar, foi anunciada a estadunidense Victoria Villareal, que irá gravar o próximo álbum da banda, ainda sem título, mas com previsão de lançamento para o decorrer do ano que vem, e como já adiantado por Fernanda Lira, terá a loucura como tema central.
Hoje é dia de celebrar esse álbum grandioso, que mostra que as meninas estão no caminho certo. Vamos desejar uma longa vida à Crypta e esperar que o novo álbum venha ainda mais matador do que os dois primeiros. Recentemente elas foram anunciadas como uma das atrações da edição de 2027 do Wacken Open Air. Vamos escutar esse “Shades of Sorrow” no volume máximo.

Shades of Sorrow – Crypta
Data de lançamento – 04/08/2023
Gravadora – Napalm Records
Faixas:
01 – The Aftermath
02 – Dark Clouds
03 – Poisonous Apathy
04 – The Outsider
05 – Stronghold
06 – The Other Side of Anger
07 – The Limbo
08 – Trial of Traitors
09 – Lullaby for the Forsaken
10 – Agents of Chaos
11 – Lift the Blindfold
12 – Lord of Ruins
13 – The Closure
Formação:
- Fernanda Lira – baixo/ vocal
- Tainá Bergamassi – guitarra
- Jéssica Di Falchi – guitarra
- Luana Dametto – bateria
Participação especial:
- Pablo Greg – teclados