Memory Remains

Memory Remains: Lamb of God – 11 anos de “VII: Sturm und Drang” e a experiência no Rock in Rio

24 de julho de 2026


Há 11 anos, em 24 de julho de 2015, o Lamb of God lançava “VII: Sturm und Drang“, o 7° álbum desta banda de Richmond, Virgínia, que marca a despedida do baterista Chris Adler e é tema do nosso Memory Remains desta sexta-feira.

A banda esteve em pausa durante algum tempo, devido a prisão do vocalista Randy Blythe, na República Tcheca. Ele era acusado de homicídio culposo, por ter empurrado um fã do palco no ano de 2010 e este acabou indo a óbito. Então o Lamb Of God concentrou todos os seus esforços na defesa do seu frontman, a banda quase chegou a se separar e eles tiveram de vender até seus instrumentos para que conseguissem fundos e ajudar o colega de banda.

Randy acabou inocentado em 2013, mas enquanto a sentença não saía, ele acabou escrevendo algumas letras enquanto esteve encarcerado. A escolha do título para o álbum também remete a experiência do frontman na prisão e foi sugerido pelo guitarrista Mark Morton. Filho de mãe alemã, ele achou a expressão “Sturm und Drang” enquanto pesquisava o vocabulário germânico e a banda concordou com a sugestão.

O disco contou com a colaboração de todos os músicos no processo de composição, diferentemente dos trabalhos anteriores quando cada membro chegava com músicas completas. Blythe escreveu 90% das letras. E o vocalista lembrou em uma entrevista à Rolling Stone sobre a inspiração para a letra de “Still Echoes” e o sofrimento passado pelo povo tcheco durante a Segunda Guerra Mundial:

“Havia uma guilhotina no corredor da minha cela, quando os nazistas ocuparam este lugar. Entre 1943 e 1945 eles executaram quase 2000 pessoas naquela guilhotina. Eles chamavam de Pamkrác. Eu ficava sentado a noite e pensava em todos aquelas pessoas que tinham suas cabeças cortadas – homens e mulheres – naquele lugar não muito longe de mim.”

Então no final de 2014, a banda se juntou ao produtor Josh Wilbur, com quem a banda segue trabalhando até os dias atuais, e todos foram ao “NRG Recording Studios“, em Los Angeles. E em 24 de julho de 2015, a bolacha saía pela “Epic Records” nos Estados Unidos e pela “Nuclear Blast“no restante do mundo.

Botando a bolacha para rolar, o Lamb of God nos trouxe um ótimo álbum de Metal moderno, não tão brutal como álbuns do passado, mas muito técnico e com muito poderio. Temos 12 músicas em 56 minutos, e os destaques ficam por conta de faixas como “Still Echoes“, “Earase This“, “512“, “Footprints“, “Delusion Pandemic“, “Torches” e “Nightmare Seeker (The Little Red House)”, esta última é uma faixa bônus da edição estadunidense.

A versão japonesa do álbum ainda tem mais duas faixas bônus: “Ruin” e “Still Echoes”, ambas gravadas durante uma apresentação no Rock Am Ring de 2015. “VII: Sturm und Drang” conta com dois convidados especiais: Chino Moreno gravou vocal em “Embers“, e Greg Puciato gravou vocal em “Torches“.

Como dissemos no início deste texto, o nosso homenageado do dia é marcado por ser a última participação desta fera Chris Adler tocando bateria na banda que ajudou a formar. Nesta época ele havia emprestado seu talento ao Megadeth, onde gravou o álbum “Dystopia“, foi convidado por Dave Mustaine para permanecer, mas acabou sendo fiel ao Lamb of God, e foi dispensado depois de passar um tempo ausente, quando sofreu um acidente que o impediu de tocar por algum tempo.

O álbum teve uma boa recepção tanto da crítica quanto do público: o site Rock Sound colocou o álbum na posição de número 20 dentre os 50 melhores álbuns lançados no ano de 2015; já a Metal Sucks deu ao álbum o título de melhor álbum daquele ano; vendeu mais de 100 mil cópias somente nos Estados Unidos. E nos charts mundo afora, o álbum ficou em 1° no Canadá, 2° na Austrália, 3° na “Billboard 200” e também na Finlândia, 5° na Suíça, 6° na Escócia, 7° no Reino Unido, 11° na Nova Zelândia, 12° na Áustria e Alemanha, 13° nos Países Baixos, 18° na Bélgica, 19° na Suécia, 21° na Dinamarca, 25° na Irlanda, 32° na Hungria, 55° na França, 69° no Japão e 84° na Itália.

Esse álbum é especial para este redator que vos escreve, pois eu conheci os membros da banda no ano de 2015, quando a banda veio se apresentar no Rock in Rio e se hospedou em um hotel que eu trabalhava como bartender. Então ouvi a banda e me tornei fã, lembro me até hoje das conversas com Randy Blythe e Willie Adler, além das inúmeras cervejas servidas para John Campbell, e uma breve conversa (e uma foto) com Chris Adler.

Hoje é dia de celebrar esse petardo, escutando-o no volume máximo enquanto agradecemos pela existência desta maravilhosa banda, que segue na ativa lançando álbuns. A banda lançou esse ano o incrível “Into Oblivion“, que mostra as posições sociais, principalmente de Randy Blythe, um sujeito que se destaca pela sensatez que deveria ser comum a todo artista e todo fã de Rock em geral. Longa vida ao Lamb of God.

VII: Sturm und Drang – Lamb of God
Data de lançamento – 24/07/2015
Gravadora – Epic/ Nuclear Blast

Faixas:
01 – Still Echoes
02 – Erease This
03 – 512
04 – Embers
05 – Footprints
06 – Overlord
07 – Anthropoid
08 – Engage the Fear Machine
09 – Delusion Pandemic
10 – Torches

Bônus Tracks:
11 – Wine and Piss
12 – Nightmare Seeker (The Little Red House)

Formação:

  • Randy Blythe – vocal
  • Willie Adler – guitarra
  • Mark Morton – guitarra
  • John Campbell – baixo
  • Chris Adler – bateria

Participações especiais:

  • Chino Moeno – vocal em “Embers
  • Greg Puciato – vocal em “Torches