DownTown Mystic, do cantor, compositor e produtor Robert Allen, lança o novo EP ‘Mystic Highway Road Trip’ de forma totalmente independente. O trabalho sucede os EPs ‘The Wish’ e ‘Mystic Highway’, divulgados em 2025, além do remix ‘On E Street Remix’, apresentado neste ano, trazendo um som mais lapidado que mistura diversas referências e entrega tons nostálgicos, modernos e cheio de peso. Não à toa, esse novo disco é a prova de que o artista encara o rock como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado.
O projeto norte-americano DownTown Mystic entrega um trabalho que reúne seis faixas inéditas e nasceu de uma situação incomum: a ideia para o lançamento surgiu a partir de comentários feitos por críticos musicais sobre os trabalhos anteriores do artista. A proposta acabou evoluindo para um novo registro que mantém a identidade do projeto, marcada por canções de rock com melodias acessíveis e clima otimista.
A jornada começa com “Superstar (To Sir Elton with Love Mix)”, uma abertura explosiva: riffs secos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sem massagem, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra. Uma faixa que entrega o puro rock’n’roll sem firula – lembrando muito nomes de atitude como Bruce Springsteen e Tom Petty. O novo EP também conta com músicos experientes da cena do rock. Participam das gravações o baterista Steve Holley, conhecido por seu trabalho com Paul McCartney & Wings, Elton John e Ian Hunter; o baixista Paul Page, além da histórica seção rítmica formada por Max Weinberg e Garry Tallent, integrantes da E Street Band, grupo que acompanha Bruce Springsteen há décadas. O resultado é um lançamento que aposta na tradição do rock americano sem renunciar a uma produção contemporânea.
Logo depois, a faixa “Live” abaixa a intensidade e se torna quase uma balada do álbum, com linhas de violão e vocais mais calmos. A instrumentação traz algo mais místico, uma energia diferente, até sermos surpreendidos com a potência vocal – tom mais baixo, mas densidade capaz de hipnotizar. Somos surpreendidos com um solo de guitarra com uma base rítmica sólida e sentimental, uma gaita que traz a raiz do southern rock americano. Estamos na segunda faixa, mas já é notável que os vocais de Robert Allen irão carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição gostosa.
“Losing My Mind (Re-Mix)” mantém o clima, agora com grooves e muitos momentos de pré-tensão: baixo pulsante, vocais que exploram nuances entre o rasgado e o limpo, lembrando como a escola do hard rock e blues pode se cruzar. A sonoridade em geral mescla peso do rock’n’roll entre os anos 70 e 80, com um apelo melódico acessível, resultando em músicas que equilibram agressividade contida com passagens introspectivas. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional. A voz é talvez o elemento mais reconhecível: grave, dramática, carregada e sempre colocada em primeiro plano, com um tom de urgência e tirada do amargo.
Na sequência, “Shadow Walk” chega com uma pegada mais suave na entrada com violão acústico inspirado emAmerica ou Creedance, e logo culminará em uma bateria urgente, guitarras desesperadas e sensuais e um refrão poderoso, que remetem as raízes do blues e seus originários. A faixa nos é apresentada com aquela vibe de deserto levada ao limite, com aquela vibe do rock americano dos anos 70. Agora sim podemos dizer que é uma balada, sensual, densa e potente.
Em “Fly (Buddy Holly Mix)” somos novamente jogados ao peso e densidade, com riffs e vocais de energia única e uma construção que quase beira o psicodélico. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho rock’n’roll, mas não é uma faixa simples para ouvir como pano de fundo, é preciso prestar atenção nos vocais que nos hipnotizam e nos riffs que querem ensinar algo – aqui senti uma energia do David Bowie, mas cheia de outras referências escondidas.
O fechamento fica com “Somebody’s Always Doin’ Something To Somebody (Uncut Mix)”, a faixa mais longa do disco que entrega um final que soa como uma explosão de sentimentos, voltando ao tom místico do stoner rock, riffs pesados do rock americano, teclados viciantes e vocais que impõem presença, soando como ZZ Top, sem perder a autenticidade grave de DownTown Mystic. Aqui, o refrão é para cantar junto e encerrar a audição com maestria.
É importante notar que DownTown Mystic se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de rock americano. O artista não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado e fiel às raízes do gênero, mas que oferece grandes surpresas.
Para aqueles que são fãs de bandas de southern rock com toques psicodélicos, DownTown Mystic oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais que impõem presença e vibe nostálgica. Para os apreciadores ‘Mystic Highway Road Trip’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero, mas também explorando novos territórios sonoros.