A cantora canadense Emily Mac apresenta seu EP de estreia, ‘ROCK N ROLL ANIMAL’. Com apenas 5 faixas, a artista revelação, a artista entrega um trabalho que combina referências do rock clássico com uma abordagem contemporânea e marcada por uma perspectiva feminista, lapidando um som que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, esse disco é a prova de que Emily Mac encara o rock como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado. Segundo o material de divulgação, suas músicas já somam mais de 100 mil reproduções no Spotify, com ouvintes em 103 países, e têm presença especialmente forte no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha e México. As referências a nomes como Stevie Nicks, Janis Joplin e Ann Wilson ajudam a situar as influências que cercam a artista, enquanto ‘ROCK N ROLL ANIMAL’ apresenta sua própria interpretação dessa tradição.
A jornada começa com “Whiskey Like Me”, uma abertura explosiva: riffs secos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sem massagem, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra. Uma faixa que entrega o puro rock’n’roll sem firula — lembrando muito bandas como Heart, mas com a doçura e ousadia da saudosa Dolly Parton. Emily Mac pode ser considerada uma novata na indústria da música; no entanto, a sofisticação de suas músicas mostra que tem um conhecimento muito além daqueles novatos.
Logo depois, “Kills Me To Love You” mantém o peso, agora com grooves e muitos momentos de pré-tensão: baixo pulsante, vocais que exploram nuances entre o rasgado e o limpo, lembrando como a escola do hard rock e blues podem se cruzar. Estamos na segunda faixa, mas já é notável que os vocais de Emily irão carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição gostosa. O repertório transita por temas como relacionamentos tóxicos, desilusões amorosas, momentos difíceis e o medo do apocalipse, transformados em canções de atitude e resistência.
A sonoridade em geral mescla peso do rock’n’roll entre os anos 70 e 80, com um apelo melódico acessível, resultando em músicas que equilibram agressividade contida com passagens introspectivas. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional. A voz é talvez o elemento mais reconhecível: grave, dramática, carregada e sempre colocada em primeiro plano, com um tom de urgência e tirada do amargo.
Na sequência, “Going Down Singing” chega com uma pegada mais sombria e agressiva na entrada, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderoso, com backing vocals que remetem as raízes do blues e seus originários. A faixa traz um ambiente denso na introdução com baixo ardente e depois nos joga em um rock mais moderno, riffs intencionalmente para cima e solor ardentes, que sugerem momentos de êxtase, e tudo isso sem perder a veia blues leve que a banda não esconde.
Preparando os ritos finais, “Buried Alive” entrega o rock’n’roll puro com uma energia de Black Sabbath. Novamente somos jogados ao peso e densidade, com riffs e vocais de energia única e uma construção que quase beira o progressivo. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho rock’n’roll. Os riffs densos e melodias abertas se misturam, quase sempre ancorados em afinações mais graves. A bateria segue um caminho sólido e direto, priorizando batidas retas e poderosas, criando uma base quase marcial. Essa é a canção que mais gostei.
Encerrando o disco de forma única, somos agraciados com “Animal”, que ganha destaque e também recebe um videoclipe de estética vibrante, reforçando a proposta mais ousada do projeto. Com letras intensas e uma performance construída em torno da energia do rock’n’roll, Emily aposta em uma sonoridade voltada para quem procura no gênero não apenas peso, mas também personalidade.
Em “Animal” nos é apresentada aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com aquela vibe do rock americano dos anos 70, e não era para menos. Essa faixa também conta com os backing vocals ardentes do blues e solo de guitarra característicos, explode tons de stoner com uma base rítmica sólida e riffs fortes; essa batida é ótima para curtir um show.
Para aqueles que são fãs de bandas girl power dos anos 70 e 80, Emily Mac oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais que impõem presença e vibe nostálgica. Para os apreciadores, ‘ROCK N ROLL ANIMAL’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero e explorando tudo o que uma mulher sabe fazer.